Notícias

Encontro Nacional da Pastoral da Educação é realizado em Goiânia

22/08/2022
Por  ANEC Comunicação

A ANEC participou do XXI Encontro Nacional da Pastoral da Educação que foi realizado pela CNBB na cidade de Goiânia durante os dias 19, 20 e 21 de agosto. O tema do evento foi “Centralidade, identidades e missão” e contou com a participação presencial de centenas de educadores e agentes pastorais de todos os regionais da CNBB além de muitos outros que acompanharam o evento pela internet. Representando a associação estiveram presentes Frei Mário José Knapik, da diretoria nacional; ir. Cláudia Chesini, do conselho superior; Prof. Tatiana Rodrigues, do conselho estadual ANEC GO; Prof. Marilson Simões, do conselho estadual da ANEC ES; Prof. Luiz Moura, do conselho estadual da ANEC PE; Gerson Dresch, coordenador do Setor de Animação Pastoral e Gregory Rial, gerente da Cãmara de Ensino Superior.

Durante a abertura, na noite de sexta-feira, 20, o arcebispo de Goiânia e presidente da Comissão Episcopal para Cultura e Educação, Dom João Justino de Medeiros Silva, recordou a importância da CF 2022 sobre a educação e indicou a importância do trabalho da Igreja junto aos ambientes educacionais. Representando a ANEC, fr. Mário José Knapik destacou a parceria da ANEC com a CNBB que se torna um sinal de esperança e comunhão com a Igreja no Brasil. Nesta mesma sessão, o professor José Carlos Libâneo da PUC GO fez uma análise dos caminhos que as políticas públicas educacionais tem tomado no país, seguido das considerações do Pe. Danilo Pinto, que também é assessor da CNBB, e que aprofundou nos desafios eclesiais relativos ao tema.

Já no sábado, dia 21, o dia foi dedicado à construção de um mosaico dos rostos e vozes da Pastoral da Educação trazendo as diversas formas de trabalho junto às paróquias, movimentos sociais, secretarias e conselhos de educação e outras religiões. A ANEC compôs o mosaico apresentando como o trabalho de Pastoral é desenvolvido nas escolas e universidades católicas. Foi destacado o poder evangelizador que as instituições confessionais de ensino tem e como, diante dos desafios atuais, é necessário apoiar e investir na educação católica. O sábado encerrou com a peregrinação dos participantes ao Santuário Basília do Divino Pai Eterno, na cidade de Trindade, sendo que ao final da Celebração Eucarística, Dom João Justino abençoou os religiosos e educadores presentes.

O domingo, dia 22, foi marcado pela realização de minicursos temáticos e pelas proposições concretas para o enfrentamento dos problemas indicados durante as plenárias. O ponto alto, foi a publicação da Carta de Goiânia, documento síntese que apresenta as discussões e os pontos de encaminhamento para a Pastoral da Educação.

Carta de Goiânia

XXI ENCONTRO NACIONAL DA PASTORAL DA EDUCAÇÃO

CREMOS NA EDUCAÇÃO!

Reunidos em Goiânia, no coração deste imenso Brasil, terra de onde a poesia de Cora Coralina nos encantou e inquietou com sua ternura, nós, educadoras e educadores agentes da pastoral da educação, participantes do XXI Encontro Nacional da Pastoral da Educação – ENAPE, dirigimo-nos a todos os educadores, educadoras e evangelizadores do nosso país para compartilhar aquilo que o Espírito Santo suscitou como inspiração e chamado ao longo destes dias.

Motivados pela Campanha da Fraternidade 2022, cujo tema foi “Fraternidade e Educação” e pelo Pacto Educativo Global, discutimos e refletimos a centralidade, identidades e missão da Pastoral da Educação no Brasil. Escutamos inúmeras vozes e realidades, contemplamos muitos rostos e, assim, compusemos um rico mosaico que celebra a unidade na diversidade das expressões eclesiais ligadas à Educação. Identificamos o cerne, o “tronco da videira” (cf. Jo 15, 4) que nutre nosso trabalho pedagógico e nossa missão eclesial: Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Cientes da complexidade que envolve o universo educativo, denunciamos profeticamente o descompromisso das autoridades com a Educação, que se materializa no desmonte das políticas públicas educacionais,  na falta planejamento e investimento, na má remuneração dos professores, na mercantilização do saber e no abandono das comunidades originárias, ribeirinhas e quilombolas.

A falta de um projeto de Estado para a educação e o contínuo processo de enfraquecimento das escolas e universidades tem levado ao fechamento de unidades educacionais em todo o país, impedindo que milhares de crianças e jovens se formem e busquem um futuro promissor. Esta triste situação, piorada pelas condições precárias que a pandemia submeteu os educadores e as instituições públicas e privadas, penaliza sobretudo os mais pobres e vulneráveis, aumentando as desigualdades sociais. Reconhecemos que durante o duro período da pandemia, o esforço dos educadores foi fundamental para que as consequências da pandemia fossem menos devastadoras no campo educativo.

Uma vez que “tudo está interligado” (Laudato Si’, n. 91), estamos convictos de que as desigualdades educacionais produzem as desigualdades sociais e vice-versa. Portanto, é urgente pensarmos em qual civilização desejamos construir. É urgente investir as nossas melhores forças na educação que forma o ser humano integralmente, para além do mercado e da cultura da competição, e que o prepare para exercício de sua liberdade e da democracia. Pela transformação de cada pessoa, que se dá por meio de uma educação integral, é que poderemos transformar o mundo.

Diante desse contexto tão exigente, nos comprometemos a esperançar o mundo tendo Jesus Cristo como meta (cf. Fl 3,14). Isso significa, concretamente, que queremos fortalecer os processos pedagógicos que colocam a pessoa humana como centro do percurso educativo tendo em vista o bem comum, a paz e a solidariedade; que insistiremos em um modelo educativo que se comprometa com economia solidária e a ecologia integral; que lutaremos por políticas públicas democráticas, funcionais e inclusivas que favoreçam a educação; que defenderemos as escolas e universidades; que apoiaremos as instituições católicas de educação básica e superior; que não nos silenciaremos diante das injustiças e das tentativas de destruir a educação.

Nos empenharemos na consolidação da Pastoral da Educação em nossas comunidades, paróquias, dioceses e regionais, somando forças com educadoras e educadores das redes pública, privada e confessional, reanimando nossa missão e engajando-nos com responsabilidade. 

Sem imaginarmos respostas prontas, mas conscientes do nosso papel de transformar criativamente o contexto que vivemos, convidamos a todos a se juntarem a nós para que esta seja a hora da educação. Com o apoio dos bispos do Brasil, das Igrejas locais, das Associações Educacionais, das instituições católicas de educação, das congregações religiosas e institutos de vida consagrada, reiteramos o forte apelo de que “ousemos sonhar”, pois a esperança é ousada e não nos decepciona (cf Rm. 5, 5). Ela nos leva a não esmorecer diante das provações e a sermos corajosos quando somos desafiados. Ela nos torna artesãos da paz e mensageiros de transformação para um mundo novo. Ela estabelece o amor como algo muito maior que o ódio. Ela faz germinar as sementes que lançamos com nossas mãos trêmulas e cansadas. E nossa esperança tem um nome e um rosto: Jesus Cristo.  Ele que nos ordenou ir e fazer discípulos, ensinando a guardar o que Ele ensinou, nos deu uma garantia de sua presença: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Sabemos que não estamos sozinhos nessa missão: o Senhor vai à nossa frente!

Goiânia, 21 de agosto de 2022

Solenidade da Assunção da Bem Aventurada Virgem Maria


Leituras relacionadas

Remodal