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Reunião estratégica trata sobre governança e preservação da missão institucional nas instituições católicas

12/07/2026
Por  ANEC Comunicação

A Câmara de Ensino Superior da ANEC realizou, no dia 9 de julho, a Reunião Estratégica Ampliada com o tema “Governança e Missão Institucional: como preparar as instituições para uma gestão compartilhada com profissionais leigos, assegurando a preservação integral do carisma fundacional e da identidade evangelizadora”. O encontro reuniu dirigentes, reitores, mantenedores e gestores das instituições católicas de educação para refletir sobre um dos maiores desafios contemporâneos da educação confessional: a sucessão da gestão institucional em um contexto de crescente participação de profissionais leigos nos espaços de liderança.

A reunião foi conduzida pelo Prof. Dr. Gilberto Gonçalves Garcia, ex-presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), e pelo Prof. Dr. Daniel Gouveia Tanigushi, especialista em Governança e Gestão Estratégica no Ensino Superior. Ambos apresentaram uma análise histórica, institucional e estratégica sobre as transformações pelas quais passam as instituições educacionais católicas no Brasil e discutiram caminhos para que esse processo de transição ocorra sem comprometer a identidade evangelizadora que caracteriza essas organizações.

Logo na abertura, os palestrantes destacaram que o debate sobre Governança não pode permanecer apenas no campo das ideias inovadoras ou das estratégias administrativas. Trata-se de enfrentar “as conversas difíceis”, aquelas que determinam a sustentabilidade das instituições no médio e no longo prazo. A mensagem central foi “discutir governança hoje significa preparar as instituições para permanecerem fiéis à sua missão diante das profundas mudanças sociais, demográficas e organizacionais vividas pela educação católica”, apresentou Daniel. 

Entre os principais pontos apresentados, chamou atenção o panorama histórico da transformação da gestão das instituições católica feito pelo professor Gilberto Garcia. Os dados demonstram uma mudança significativa na composição das equipes gestoras nas últimas décadas. Enquanto na década de 1960 a quase totalidade das funções executivas era ocupada por religiosos, atualmente os profissionais leigos representam aproximadamente 75% a 83% das posições de gestão, tendência impulsionada pela diminuição do número de religiosos e pelo envelhecimento das congregações. Esse cenário evidencia que a participação dos leigos deixou de ser uma possibilidade futura para tornar-se uma realidade consolidada, exigindo novos modelos de governança.

Outro aspecto relevante foi a apresentação dos fatores que impactam diretamente a sustentabilidade das instituições confessionais. Entre eles destacam-se a redução do número de religiosos, o envelhecimento das congregações, o aumento dos custos operacionais, a queda da natalidade, a maior concorrência entre instituições privadas e o crescimento das grandes redes educacionais. Os palestrantes ressaltaram que esses elementos não devem ser compreendidos apenas como desafios administrativos, mas como fatores que exigem respostas estratégicas fundamentadas na missão institucional e na capacidade de adaptação das organizações.

Durante a exposição, foi ressaltado que a preocupação com a participação crescente dos leigos na gestão não decorre de uma relação de desconfiança, mas da responsabilidade de garantir que o patrimônio espiritual, educativo e evangelizador das instituições permaneça vivo ao longo das próximas gerações. Como enfatizado na apresentação, trata-se de um “cuidado legítimo com algo maior do que qualquer gestor”, reforçando que preservar o carisma fundacional depende da construção de estruturas institucionais sólidas, capazes de atravessar mudanças de pessoas e de contextos históricos.

Os especialistas também destacaram que essa discussão não é exclusiva da educação católica brasileira. O tema tem ocupado espaço recorrente em encontros nacionais da ANEC e em fóruns internacionais de universidades católicas, consolidando-se como um verdadeiro “sinal dos tempos”. Nesse contexto, a governança passa a ser compreendida como instrumento para assegurar continuidade institucional, clareza de propósito e fidelidade ao projeto educativo cristão, conciliando profissionalização da gestão com preservação da identidade institucional.

A reunião abordou, ainda, o chamado “conflito de agência”, conceito utilizado para explicar os desafios decorrentes da separação entre propriedade institucional e gestão executiva. Os palestrantes fizeram um paralelo com as empresas familiares, que ao longo de décadas desenvolveram mecanismos de governança capazes de preservar seus valores fundacionais mesmo diante da profissionalização da gestão. A analogia serviu para demonstrar que as instituições católicas também precisam estruturar processos de sucessão, formação de lideranças e definição clara de papéis entre mantenedoras, dirigentes e gestores, garantindo que as decisões estratégicas permaneçam alinhadas à missão evangelizadora.

Ao final, foi reforçado que a governança institucional não representa apenas um conjunto de normas administrativas, mas uma dimensão essencial para assegurar a continuidade do projeto educativo católico. Preparar lideranças leigas comprometidas com os valores institucionais, fortalecer a atuação estratégica das mantenedoras, investir em processos permanentes de formação e consolidar modelos de governança inspirados na identidade cristã constituem condições indispensáveis para que as instituições católicas continuem oferecendo uma educação de excelência, fiel ao seu carisma e capaz de responder aos desafios do século XXI.

A iniciativa reafirma o compromisso da ANEC em promover espaços qualificados de reflexão estratégica, contribuindo para que as instituições associadas fortaleçam seus processos de gestão, preservem sua identidade confessional e consolidem uma governança capaz de integrar inovação, sustentabilidade e fidelidade à missão educativa da Igreja. 


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