Segundo dia do Fórum aprofundou debates sobre o Pacto Educativo Global, inteligência artificial, cultura da paz e metodologias inovadoras, reafirmando o compromisso com uma educação que humaniza e transforma
O segundo dia do Fórum Nacional de Educação Básica da ANEC, realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, aprofundou as reflexões sobre os caminhos que a Educação Católica é chamada a construir diante das transformações do século XXI. Com o tema “Linguagens de Esperança: educação que humaniza e transforma”, a programação reuniu educadores, gestores e lideranças em torno de temas como o Pacto Educativo Global, inteligência artificial, cidadania digital, cultura da paz, metodologias inovadoras e os novos desafios da aprendizagem.
A manhã começou com um momento de acolhida e oração, proporcionado pela equipe e pelos estudantes do Colégio Santo Agostinho, retomando a dimensão espiritual que atravessou todo o Fórum e preparando os participantes para um dia dedicado especialmente a pensar como a escola pode responder às mudanças do mundo sem perder aquilo que está no centro de sua missão: a formação integral da pessoa.
A primeira reflexão do dia, conduzida por Célia Bittencourt, apresentou o “Decálogo do Pacto Educativo Global: desafios para a Educação Confessional Católica no Século XXI”.
A apresentação retomou a trajetória do Pacto, lançado em 2019, e sua evolução até o Decálogo, apresentado como uma bússola para a educação. A proposta foi reforçada a partir de uma compreensão essencial: o Pacto não deve ser entendido como documento, burocracia ou carta de boas intenções, mas como um compromisso fundamentado na compreensão de que a humanidade é criação divina, à imagem e semelhança de Deus.
Um dos grandes temas do segundo dia foi a inteligência artificial, abordada por Rui Fava na palestra “IA generativa na escola e a construção de uma cidadania digital ética, crítica e humanizada”, sob a mediação da gestora Cássia Lara.
A discussão partiu de uma mudança de perspectiva: a transformação provocada pela inteligência artificial não é apenas tecnológica, mas também instrucional. Nesse novo cenário, o professor deixa de ocupar exclusivamente o lugar de transmissor, enquanto o estudante é chamado a investigar, decidir e criar. O conteúdo, por sua vez, deixa de ser um fim em si mesmo e passa a ser matéria-prima para investigar, experimentar, avaliar e inovar.
A apresentação reforçou que a IA não deve ensinar no lugar do professor. Seu papel é ampliar a capacidade docente, permitindo personalizar percursos, diagnosticar lacunas de aprendizagem e liberar tempo para aquilo que permanece essencial: a construção de vínculos humanos.
Nesse novo cenário, professor, estudante e inteligência artificial assumem responsabilidades complementares: o professor desenha cenários e desafios e atua como mediador humano; o estudante investiga, decide e cria; e a IA coleta, adapta e simula, como uma parceira cognitiva. O protagonismo, porém, permanece humano.
A programação avançou para outro desafio fundamental da convivência escolar com a palestra “Cultura da paz e ética da alteridade: das virtudes institucionais ao enfrentamento do bullying e cyberbullying”, conduzida por Benjamim Horta e com mediação de Clovis Oliveira.
A reflexão colocou em diálogo a construção de uma cultura institucional de paz e a necessidade de enfrentar situações de violência e desrespeito que também se manifestam nos ambientes digitais.
A temática se conecta diretamente a um dos compromissos do Decálogo: educar para uma paz desarmada e desarmante, formando para linguagens não violentas, reconciliação e construção de pontes. Entre os caminhos apresentados estão práticas de mediação, círculos restaurativos e propostas de comunicação não violenta, compreendendo a paz como uma prática cotidiana de convivência.
O Fórum também abriu espaço para a expressão artística com a apresentação do Grupo Sarandeiros, do Colégio Santo Agostinho – Belo Horizonte.
O momento trouxe ao encontro a força da cultura e da arte como linguagens capazes de educar, sensibilizar e promover encontros. Em um Fórum dedicado às diferentes linguagens da esperança, a participação do grupo reforçou que a formação integral também passa pela experiência estética, pela expressão corporal e pela valorização da cultura.
Outro momento de destaque foi o lançamento da coletânea “Uso das Metodologias Inov(ativas) na Educação Católica, com partilha de práticas pedagógico-evangelizadoras exitosas”, apresentado pela gerente da Câmara de Educação Básica da ANEC, Meily Cassemiro.
A publicação reúne experiências desenvolvidas por instituições associadas e dá visibilidade a práticas que já estão sendo realizadas nas escolas, fortalecendo a cultura de compartilhamento e colaboração na Educação Católica.
A proposta apresentada durante o Fórum destaca uma concepção de inovação que não se limita à adoção de ferramentas ou tecnologias, mas envolve a construção de novas experiências de aprendizagem, com protagonismo, autoria, investigação, colaboração e conexão com a realidade. Na ocasião, os autores selecionados foram apresentados ao público.
Na sequência, Maria Helena Guimarães e Maria Inês Fini conduziram a reflexão “Como promover o desenvolvimento de aprendizagem e metodologias inovadoras para a geração do século XXI?”, trazendo a discussão para o campo da aprendizagem, do currículo e das práticas pedagógicas, sob a mediação da Ir. Adair Sberga.
A reflexão dialogou com uma das principais mensagens do segundo dia: inovação educacional não é tecnologia pela tecnologia. Seu propósito é fortalecer a missão da escola e formar pessoas capazes de pensar criticamente, conviver, cuidar, criar e agir com responsabilidade em um mundo marcado pela inteligência artificial e por transformações aceleradas.
A inovação, nesse contexto, exige também condições institucionais. A gestão precisa criar espaço para planejamento, experimentação, colaboração e avaliação; a formação docente deve ir além do domínio de plataformas; e currículo e avaliação precisam valorizar processos, autoria, argumentação, aplicação em situações reais e transparência no uso da inteligência artificial.
A escola também é chamada a construir uma agenda contínua de formação em inteligência artificial e educação, desenvolver planos institucionais de inovação, avaliar ferramentas e riscos e ampliar os espaços de escuta dos estudantes sobre currículo, tecnologia, convivência e futuro.
No encerramento, a Ir. Adair Aparecida Sberga, presidente da Câmara de Educação Básica da ANEC, conduziu o momento “Mandato profético: traçar novos mapas de esperança”, retomando o percurso construído ao longo dos dois dias de encontro.
Depois de percorrer temas, como identidade católica, Pacto Educativo Global, inclusão, cuidado, inteligência artificial, cultura de paz e inovação pedagógica, o Fórum chegou ao seu encerramento reafirmando que o futuro da Educação Católica precisa ser construído com coragem, discernimento e esperança.
Ao longo dos dois dias, o Fórum mostrou que desenhar novos mapas não significa simplesmente buscar o que é novo. Significa olhar para as transformações do mundo, reconhecer os desafios do presente e encontrar respostas coerentes com a missão da Educação Católica.
Entre diferentes linguagens, experiências e perspectivas, fica o convite para que cada instituição continue sua própria cartografia: uma educação que coloque a pessoa no centro, valorize a presença humana, incorpore a inovação com discernimento, promova a paz e faça da esperança não apenas uma palavra, mas uma prática educativa cotidiana.
Para busca pelas associadas, utilize a ferramenta diretamente na página Associadas
Para as demais buscas no site, use palavras-chave que facilitem sua busca. Não é necessário utilizar conectivos, artigos ou conjunções. Ex: “seminário mantenedoras” em vez de “seminário de mantenedoras”