A pastoralidade deixa de ser uma dimensão complementar e passa a ocupar lugar central na definição da identidade das instituições católicas de ensino. Mais do que um conjunto de atividades, trata-se de um princípio que atravessa a vida acadêmica e orienta a própria missão educacional.
Essa é a base do documento Linhas de Ação Pastoral para as Instituições de Ensino Superior (2026-2030), apresentado durante o Fórum Nacional de Educação Católica 2026, promovido pela Associação Nacional de Educação Católica do Brasil, no dia 16 de abril. A proposta reúne diretrizes para fortalecer a atuação evangelizadora no ambiente universitário, com foco na integração entre fé, conhecimento e compromisso social .
Segundo Irmã Carolina Mureb Santos, o material foi concebido como instrumento de orientação, e não de padronização. “Os documentos – volume um e dois – não querem impor uma forma de fazer pastoral, mas oferecer diretrizes para que as instituições reforcem que a pastoralidade é uma ação fundamental para garantir a identidade e a missão”.
A proposta parte de um entendimento mais amplo do papel da Pastoral nas instituições. Em vez de atuar de forma isolada, a pastoralidade deve se integrar às dimensões acadêmicas. “No ensino superior, ela dialoga com ensino, pesquisa e extensão; na educação básica, com o pedagógico. Essa interlocução é essencial para compreender que a instituição católica não oferece apenas ensino, mas nasce com finalidade evangelizadora”.
O documento também responde a mudanças no perfil das instituições e de seus quadros. Com a ampliação da presença de leigos na gestão e na atuação pastoral, cresce a necessidade de estruturar e profissionalizar essa área. “Esse profissional não se encontra pronto no mercado. É alguém comprometido com a fé, mas que também entende o mundo da educação”.
A organização da pastoralidade aparece, inclusive, como um dos eixos estratégicos das diretrizes. Entre os pontos destacados estão a necessidade de integrar a pastoral à gestão institucional, estruturar processos e investir na formação continuada de agentes .
Outro aspecto central é o caráter coletivo da construção do documento. Elaborado com a participação de diferentes instituições, o material busca refletir a diversidade do setor e oferecer um referencial comum. “É um material que nasce das bases, com contribuições concretas das instituições, e por isso tem sido bem acolhido. A expectativa é que também fortaleça a pastoralidade no ensino superior”.
Ao consolidar diretrizes para os próximos anos, o documento reforça uma mudança de abordagem. A pastoralidade deixa de ser vista como atividade paralela e passa a ser compreendida como elemento estruturante da vida universitária, com impacto direto na forma como as instituições se organizam, ensinam e se relacionam com a sociedade.
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