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Rotina de Estudos e Saúde Mental, em Tempos de Distanciamento Social

27/03/2020
Por  ANEC Comunicação

Há pouco mais de uma semana, universitários e professores de todo o país tiveram de se reinventar com relação as suas práticas de ensino-aprendizagem. Em virtude da pandemia mundial, calendários acadêmicos foram revistos, ambientes virtuais de aprendizagem tiveram de frequentados e novos hábitos estudantis tiveram de ser inaugurados, em ordem da quarentena a que todos estamos submetidos. Mas, como viver esse tempo de confinamento, manter uma rotina de estudo e pesquisa, sem prejudicar a saúde mental?

O atual contexto causado pelo COVID-19, obrigou a suspensão das aulas em diversos ambientes educativos. Muitas instituições, a exemplo da Universidade de Brasília, cancelaram o calendário acadêmico do semestre. Outras universidades, a exemplo das Pontifícias Universidades ou Universidades Católicas, mantiveram os seus calendários acadêmicos adaptando-os à modalidade do Tele-ensino ou EAD. Com o processo formal ou não mantido, os que estão na etapa dos estudos possuem a tarefa de manter a vida acadêmica atualizada. Para D. João Justino, arcebispo de Montes Claros e presidente da CEPCE, “a quarentena não significa que a vida para. Ela deve ser manejada de outro modo. E até para os estudos existem possibilidades diferentes. O importante é dar passos de reorganização do uso do tempo e do espaço que se tem. Desafios novos, novos aprendizados”.

Para quem tem de manter a rotina de estudos, estando em casa, o excesso de informações, a falta de previsibilidade a respeito dos rumos da pandemia, o sentimento de impotência diante do vírus que se expande e da falta de estrutura nos hospitais para acolher aqueles que estão numa maior situação de vulnerabilidade, a mudança repentina para uma situação de quarentena sem o devido preparo podem gerar sofrimento psíquico. Entre os casos, destacamos as preocupações e tristeza em excesso, o sentimento de insegurança, de angústia, da ansiedade, do estresse e, até mesmo, do pavor. Para o psicólogo e coordenador diocesano da Pastoral Universitária de Curitiba, Wellington Kihara:

“O momento que vivenciamos exige um cuidado com a saúde mental para continuar realizando, da melhor forma possível, as atividades acadêmicas diante das incertezas da atualidade. Tais incertezas, podem gerar um desconforto, um desequilíbrio emocional que pode afetar o trabalho que já vem sendo desenvolvido. Assim, faz-se necessário compreender a mudança, de que é necessária uma reorganização da rotina. Trata-se de um momento de parar, respirar, se organizar e, continuar em frente. Também, não tenha vergonha ou medo de pedir ajuda a qualquer hora”.

A alteração das rotinas de acadêmicas conjugadas aos sentimentos suscitados por esse tempo de confinamento convidam os universitários a adotar um novo tipo de postura. Esta alteração de rotina estudantil se torna ainda mais desafiante se existem filhos pequenos em casa, pais ou avós que necessitem de cuidado, ou mesmo, se o espaço não é apropriado aos estudos. É de suma importância o cultivo de atitudes que possam auxiliar na gestão das emoções e dos estudos no contexto adverso.

Com relação aos estudos:

– Mantenha, apenas, as notificações que forem essenciais. O celular tem recebido muitas notificações das redes sociais, e-mail e app., que tiram o foco e a atenção dos estudos;

– Crie uma rotina para os seus estudos, ainda que eles sejam disponibilizados on line. A regularidade criará uma forma de “controle” e de “previsão” sobre o seu cotidiano. Uma rotina trará a sensação de segurança;

– Use app de vídeo conferência para diminuir a distância entre os colegas, estudar juntos e fomentar uma continuidade dos encontros presenciais. Não se isole;

– Se informe pontualmente sobre o assunto da pandemia. Escolha dois momentos do dia e evite uma enxurrada de informações que possam trazer a sensação de impotência;

Com relação a vida na quarentena:

– Mantenha uma rotina no seu cotidiano, pelos motivos expostos acima acerca dos estudos;

– Procure cultivar a espiritualidade: por meio de meditações, escuta da palavra e orações;

– Procure fazer atividades relaxantes: inclua na sua rotina alguma atividade lúdica, exercícios físicos e alimentação saudável;

– Evite procurar qualquer pessoa para conversar sobre o assunto. Seja criterioso nesse assunto. Pessoas significativas renovam a sensação de confiança, o sentimento de pertencimento e proteção;

– Reflita sobre o que você tem aprendido com este tempo, revise as suas práticas e rotinas a cada semana, e lembre-se que isto não durará por toda vida;

– Peça ajuda se precisar. Em caso de necessidade, procure acessar plataformas e serviços de escuta gratuitas como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que possuem voluntários disponíveis por 24h, através do número 188.

O cuidado com a saúde mental é importante, uma vez que, a estabilidade emocional reforçará o seu sistema imunológico.  Importante por inúmeros outros aspectos, o sistema imunológico fortalecido será importante para atravessarmos essa fase e garantirmos a qualidade dos estudos, num novo contexto. Por fim, se é verdade que não conseguimos ter o controle sobre o mundo externo, podemos, ao menos, nos esforçar para ter um maior controle com o nosso mundo interno.

Pensando na importância desse assunto, o Setor Universidades da CNBB montou um grupo de trabalho para a uma refletir sobre uma proposta de Plantões de Escuta, nos contextos locais. A proposta será realizada nas Pastorais Universitárias do país para os estudantes na situação de quarentena. Em breve teremos mais informações.

 


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