A ANEC transmitiu, no dia 14 de novembro, a live “COP30, e aí? Desafios e horizontes para uma verdadeira transição ecológica”, que reuniu educadores, pesquisadores e representantes de instituições católicas para discutir os desafios climáticos contemporâneos e apresentar o e-book Saberes e práticas para uma ecologia integral: experiências educativas e eco transformadoras. A publicação é fruto de uma articulação conduzida pela CNBB, em parceria com a PUC Minas e diversas organizações da Igreja no Brasil, e representa um passo importante na mobilização das comunidades educativas diante da COP30.
A mediação foi conduzida por Gregory Rial, coordenador do Setor de Animação Pastoral da ANEC, que abriu o encontro destacando que discutir a crise climática em espaços formativos é fundamental em um momento em que o negacionismo ainda ganha força.
A primeira convidada, Aleluia Heringer, doutora em Educação pela UFMG, situou a obra coletiva dentro de dois marcos históricos: os 30 anos da primeira Conferência do Clima (COP1) e os 10 anos da encíclica Laudato Si’, de Papa Francisco. Segundo ela, a encíclica permanece sendo uma das principais chaves interpretativas para compreender a crise ecológica a partir da fé cristã e orientar uma mudança de mentalidade.
Alelúia apresentou o e-book como resultado de um processo que combina pesquisa acadêmica, espiritualidade e práticas comunitárias. Ela destacou que falar de ecologia integral exige reconhecer a dimensão emocional do impacto ambiental:
“A consciência ecológica é dolorosa. O que está acontecendo com os manguezais, com os animais, com as pessoas empobrecidas e com os refugiados me dói e deve doer. É esse sofrimento que nos mobiliza a dar uma contribuição.”
A professora chamou atenção para a necessidade de aprofundar conceitos muito utilizados no debate climático, como consumo, biodiversidade e governança climática, alertando para o risco de esvaziamento do significado se não forem revisitados com rigor. Ela citou o texto presente na obra, que afirma que a Amazônia “não é cenário, mas sujeito”, reforçando que é preciso identificar, nomear e compreender as cadeias de consumo que alimentam a degradação ambiental.
Por fim, Aleluia manifestou preocupação com a escassa presença das emissões de gases de efeito estufa na cobertura da grande mídia e nas prévias da COP30, especialmente no contexto amazônico e do Cerrado, regiões decisivas para o equilíbrio climático global.
Na sequência, Moema Miranda, doutora em Filosofia pela PUC-Rio e integrante da coordenação da Rede Igrejas e Mineração, aprofundou três eixos centrais para compreender a ecologia integral no momento atual:

Moema destacou que o mundo vive hoje um dos períodos mais críticos em termos de aquecimento global e perda de biodiversidade. Para ela, a questão ecológica deixou de ser “um tema entre outros”:
“A questão ecológica é a questão que dá condições de possibilidade para a continuidade da existência da vida.”
Segundo Moema, sem um planeta saudável, nenhum debate educativo, social ou político pode subsistir.
Moema lembrou que parte do modelo ocidental de relação com a natureza foi marcado por uma leitura antropocêntrica, muitas vezes reforçada por interpretações equivocadas das tradições cristãs. Por isso, a educação, especialmente a educação de inspiração católica, precisa assumir um papel de reconstrução da relação com a criação:
“É essencial reeducar a todos nós para não esquecermos que somos terra. Precisamos revisitar concepções que nos colocaram acima da criação e que nos levaram a gerar danos permanentes.”
Moema enfatizou que atribuir a destruição ambiental à “humanidade” como um todo mascara profundas desigualdades. Segundo ela, os maiores impactos são causados pelos padrões de consumo das elites globais, e não pelos povos que historicamente vivem em equilíbrio com o território:
“Os 50% mais pobres da população mundial estão abaixo da linha de produção de destruição ambiental.”
A autora também mencionou o documento das Igrejas do Sul Global, elaborado na preparação para a COP30, que denuncia as “falsas soluções” climáticas e convoca uma verdadeira conversão ecológica baseada em justiça, corresponsabilidade e transformação estrutural.
Encerrando o encontro, Eduardo Brasileiro, doutorando em Ciências Sociais pela PUC Minas e pesquisador do Nesp, reforçou que a educação é central na construção de novos horizontes possíveis:
“A educação é um projeto que debate para onde a sociedade vai. Esse debate precisa existir em todos os nossos espaços formativos.”
Ele apresentou oficialmente o e-book, agradecendo a colaboração das 23 instituições de ensino e dos 85 autores envolvidos no projeto. Para ele, a obra é um convite à ação comunitária e ao engajamento local:
“Que essa publicação inspire uma boa leitura e um bom engajamento nas nossas comunidades.”
A live permanece disponível no canal da ANEC no YouTube e integra um conjunto de ações que fortalecem o compromisso da Associação com uma educação transformadora e com a construção de uma verdadeira ecologia integral no Brasil.
Para busca pelas associadas, utilize a ferramenta diretamente na página Associadas
Para as demais buscas no site, use palavras-chave que facilitem sua busca. Não é necessário utilizar conectivos, artigos ou conjunções. Ex: “seminário mantenedoras” em vez de “seminário de mantenedoras”