A ANEC realizou uma live, transmitida pelo YouTube, que reuniu educadores, gestores e representantes de instituições católicas para debater o tema “Vivenciando a Campanha da Fraternidade 2026 na escola católica”, em um encontro marcado por reflexão, partilha e aprofundamento formativo.
A live contou com a participação de três palestrantes: Meily Cassemiro, gerente da Câmara de Educação Básica da ANEC, que também atuou como mediadora do encontro; Beatriz Leal, assessora do Setor de Ensino Religioso da CNBB; e Jean Marcos, coordenador de Pastoral do Colégio Marista Paranaense. A abertura teve as boas-vindas do padre Júlio César, da CNBB, e uma mensagem da irmã Carolina Mureb, diretora de Animação Pastoral da ANEC. Integrada à itinerância formativa da Associação, a iniciativa consolidou-se como um laboratório de práxis educativa, onde a teoria teológica se conecta com a aplicabilidade do cotidiano escolar.
O encontro destacou o diálogo com a Campanha da Fraternidade 2026, proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que traz como tema a “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), buscando despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como expressão concreta da fé cristã e ampliando a compreensão da educação como caminho de formação humana, cristã e cidadã.
Também foi apresentada a imagem-símbolo da campanha, a escultura “Cristo sem-teto”, destacada como um convite a “sentar-se ao lado de Jesus presente nos mais vulneráveis”. Como destacou Meily Cassemiro, “falar da fraternidade e moradia na escola católica não é apenas um apelo, ele é o coração da nossa pedagogia.”
Foi ressaltada a importância de trabalhar a Campanha da Fraternidade no ambiente escolar não como um conteúdo isolado, mas como uma experiência formativa, capaz de ajudar estudantes a reconhecer que Cristo “mora entre nós” sempre que a dignidade humana é respeitada, defendida e promovida.
Os palestrantes reforçaram que a CF 2026 pode se tornar “um tema gerador para todo o ano letivo”, articulando diferentes componentes curriculares. Foram apresentados exemplos de atividades pedagógicas, como rodas de conversa, análise de notícias, construção de mapas afetivos da ‘minha morada’, dinâmicas de empatia e projetos interdisciplinares. Também foi destacada a linha de subsídios pedagógicos da CNBB, com materiais voltados a todas as etapas da educação e catequese.
O Padre Júlio César lembrou que “a campanha da fraternidade sempre nos convida a uma reflexão conjunta orientada para o desenvolvimento de compromissos concretos, sobretudo a favor dos mais pobres, dos esquecidos, daqueles irmãos e irmãs que dentro da nossa sociedade são invisibilizados.”
A relação entre a Campanha da Fraternidade 2026 e o componente curricular de formação religiosa, em diálogo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), também foi abordada. O debate destacou a contribuição dessa área do conhecimento para que os educandos construam sentidos pessoais de vida, fundamentados em valores éticos, cidadania e no cuidado com o outro e com a natureza.
O Ensino Religioso foi apontado como um espaço privilegiado para “escutar as histórias de vida dos estudantes”, valorizando suas experiências e vulnerabilidades. Nesse contexto, Maria Beatriz Leal, Assessora do Setor Ensino Religioso CNBB, reforçou que “a campanha da fraternidade não deve ser reduzida a um conteúdo, ela é uma experiência formativa. Educar é reconhecer que Cristo mora entre nós sempre que a dignidade humana é respeitada, defendida e promovida.”
As reflexões também enfatizaram a proposta da chamada “Pedagogia do Habitar”, que compreende a moradia não apenas como um espaço físico, mas como lugar de convivência, dignidade, cuidado e pertencimento. A abordagem articula fé, educação e realidade social.
A pedagogia foi enriquecida pela arqueologia do afeto no ‘Portal das Reminiscências’, um convite sensível para que educandos acessem a geografia emocional de suas moradas, transformando memórias em pontes de alteridade e empatia.
A pedagogia foi apresentada como um caminho que “integra espiritualidade, currículo e compromisso social”, destacando a importância da espiritualidade do educador no processo formativo.
Ao longo da live, foram compartilhados caminhos pedagógicos para abordar o tema da moradia na escola, reforçando a educação como espaço de escuta, diálogo e compromisso social, incentivando a reflexão dos estudantes sobre desigualdades, direitos e responsabilidade coletiva.
Também foi pontuada a importância de articular a Campanha da Fraternidade às competências gerais da BNCC, ressaltando que o tema da moradia dialoga com dimensões como empatia, responsabilidade, argumentação, repertório cultural e autoconhecimento. Os palestrantes apresentaram uma “matriz integradora” que auxilia as escolas a relacionarem fundamentos teológicos, provocações pedagógicas e ações concretas às competências da BNCC, fortalecendo a coerência entre fé, currículo e prática educativa.
O evento ressaltou ainda a importância de envolver famílias e comunidade, sugerindo rodas de conversa com responsáveis, visitas a instituições sociais e ações conjuntas com organizações locais.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de adaptar a linguagem e as atividades às diferentes faixas etárias, garantindo que crianças, adolescentes e jovens compreendam o tema de forma significativa. Os participantes ainda sugeriram o uso pedagógico do hino oficial da CF 2026, como recurso para oração, reflexão e expressão artística.
No encerramento, representantes da ANEC reforçaram que a live integra um conjunto mais amplo de ações formativas da Associação, voltadas ao fortalecimento da identidade da educação católica e ao compromisso com a transformação social. O encontro, cujos ecos estão publicados no canal da ANEC no YouTube, consolida um legado de resistência esperançosa, reafirmando que a educação católica é, em sua essência, um ato de justiça e um anúncio do Reino.
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