Se uma instituição confessional fechasse hoje, quem mais sentiria falta? A pergunta, colocada por Marcelo Chaves, CEO do grupo UBEC, não trata de crise, mas de relevância, e sintetiza o desafio que se impõe ao ensino superior católico.
A discussão foi apresentada na Sala Temática “Posicionamento de mercado” do Fórum Nacional de Educação Católica 2026 e Assembleia Geral Ordinária, promovido pela Associação Nacional de Educação Católica do Brasil..
“Nós temos o essencial, que é a identidade e a missão, mas muitas vezes não conseguimos comunicar isso ao mercado”, afirmou. A fala evidencia a distância entre o valor institucional e sua percepção externa.
Hoje, o cenário é mais exigente, com mais de 2,6 mil instituições privadas disputando o mesmo aluno. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que é possível construir carreira sem diploma, enquanto a evasão segue elevada e pressiona resultados.
Nesse contexto, o desafio não está na falta de atributos. As instituições confessionais acumulam ativos, como confiança, formação integral e vínculo com a comunidade, alinhados a demandas atuais como propósito e desenvolvimento humano.
A dificuldade está em transformar esse valor em posicionamento claro. O debate aponta a necessidade de alinhar propósito e estratégia para ampliar presença e alcance.
“Precisamos comunicar melhor para crescer não só em número de alunos, mas também como missão”, destacou. O crescimento, nesse caso, envolve ampliar impacto, e não apenas matrículas.
Enquanto as instituições ainda enfrentam dificuldades para comunicar seu diferencial, o mercado avança em outra direção, com grandes grupos ganhando escala a partir do uso intensivo de dados e plataformas digitais. Edtechs ampliaram acesso e reduziram custos, alterando a lógica de competição e elevando o nível de exigência no setor.
A resposta, no entanto, não passa por replicar esse modelo. O risco está em tentar competir abrindo mão da própria identidade, o que pode enfraquecer o principal diferencial das instituições confessionais.
“O desafio não é escolher entre missão e competitividade. É usar o rigor do mercado a serviço da missão”. A proposta é integrar técnica e propósito de forma consistente, alinhando eficiência operacional com identidade institucional.
Essa mudança exige uma gestão mais estruturada e orientada por dados. Em muitos casos, ainda faltam respostas objetivas sobre captação, evasão e permanência, o que limita a capacidade de adaptação e crescimento sustentável.
A troca com os participantes durante o Fórum evidenciou diferentes níveis de maturidade entre as instituições. Enquanto algumas avançaram na profissionalização da gestão e na criação de redes, outras ainda enfrentam desafios na comunicação e no posicionamento.
“Foi muito rico perceber essa diversidade e também a necessidade de caminharmos juntos, com uma proposta comum para ocupar nosso espaço no mercado de forma alinhada”, disse. A articulação entre instituições aparece como um caminho para fortalecer o setor e ampliar sua presença no ambiente competitivo.
O movimento também exige atenção ao ambiente externo. “Enquanto nós não crescemos, outros crescem. Precisamos olhar para o ambiente externo e nos posicionar com ferramentas, dados e profissionalismo”, finalizou.
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