O segundo dia do Fórum de Presidentes e Gestores da ANEC 2026 reuniu reflexões sobre liderança, comunicação, saúde organizacional e os impactos da inteligência artificial no ambiente educacional. Ao longo da programação, especialistas e gestores reforçaram que os novos desafios tecnológicos precisam ser acompanhados por uma liderança capaz de preservar a centralidade da pessoa humana e a identidade das instituições católicas.
A programação começou com um momento de espiritualidade conduzido pelo Padre Joãozinho e seguiu com a conferência “Entre a missão evangelizadora, a inovação e as novas tecnologias, construindo respostas para os desafios do nosso tempo”, conduzida pelo Ir. Jardelino Menegat, vice-presidente da Rede La Salle Brasil.
Ao abordar o papel dos gestores, Ir. Jardelino destacou que a liderança educacional precisa ser, ao mesmo tempo, evangelizadora, inspiradora, estratégica e mobilizadora. Para ele, liderar vai além do gerenciamento de rotinas e metas: significa buscar sentido, unir propósitos e construir caminhos junto às pessoas. “A liderança se constrói junto das pessoas, e não acima delas”, ressaltou.
Segundo o Irmão, o planejamento também é uma ferramenta de proteção da missão institucional. Um planejamento bem construído reduz a sobrecarga e os improvisos, dá segurança às equipes, esclarece responsabilidades e contribui para preservar a identidade da instituição diante das pressões externas.
A programação também abordou a comunicação como competência essencial para a liderança. Na conferência “Liderança comunicadora: como influenciar com clareza e propósito”, a pedagoga e gerente pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, Paloma Bastos, destacou a importância de comunicar com clareza, estabelecer prioridades e limites, reconhecer erros, superar o perfeccionismo e atuar coletivamente.
Outro tema foi a transparência e a cultura organizacional, apresentado pela psicóloga e especialista em Gestão de Pessoas Maurikeli Teles. A especialista chamou a atenção dos gestores para a necessidade de conciliar resultados e cuidado com os colaboradores.
A avaliação de desempenho, segundo a reflexão apresentada, deve ser utilizada como instrumento de desenvolvimento, e não de punição. A palestrante também destacou a importância de criar canais de escuta e de observar sinais relacionados à saúde emocional dos profissionais.
Um dos principais momentos do segundo dia foi a discussão sobre inteligência artificial. Na conferência “IA na Educação, ferramentas de gestão, ética e formação humana”, o professor e cientista político Israel Batista destacou que a tecnologia já está presente no cotidiano de estudantes e instituições e que a educação precisa estabelecer como ela será utilizada a serviço da aprendizagem.
Para o especialista, a questão central deixou de ser descobrir se o estudante utilizou inteligência artificial para realizar uma atividade. O desafio agora é avaliar se houve aprendizagem durante o processo.
A presença da IA também exige uma revisão das formas tradicionais de avaliação. Segundo Batista, a facilidade de produzir respostas não significa necessariamente que o estudante tenha desenvolvido conhecimento, pensamento crítico ou capacidade de questionar as informações geradas pelas ferramentas.
Para os participantes, o debate reforçou que a inteligência artificial pode contribuir para a educação e para a gestão, mas não substitui a dimensão humana da missão educativa.
Irmã Marcela Sarmento, diretora-presidente da Rede Damas Educacional, destacou a importância de discutir a tecnologia dentro da identidade das instituições católicas. Para ela, a inteligência artificial deve ser compreendida como um meio de aprendizagem e crescimento, com cuidado e cautela.
“A inteligência artificial não é um fim em si mesma, mas um meio para que a nossa missão de evangelização e a Palavra de Deus também possam ser propagadas”, afirmou.
A mesma preocupação foi expressa por gestores participantes do Fórum. Padre Elson Mauro, do Colégio São Paulo da Cruz, em Belo Horizonte, destacou que a gestão precisa estar a serviço da pessoa humana e que as decisões nas instituições devem ser cada vez mais abertas e participativas.
Irmã Noemi Machado, gestora da Rede de Educação e representante do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Governador Valadares (MG), ressaltou que o encontro oferece novas perspectivas para o exercício da missão educativa diante dos desafios atuais, incluindo as questões socioemocionais de professores, estudantes e famílias.
Já Irmã Neide Jane Farias, presidente da mantenedora Associação Franciscana da Divina Providência, em Duque de Caxias (RJ), destacou a importância de manter o carisma e a missão das instituições ao mesmo tempo em que se desenvolve uma visão crítica sobre as novas tecnologias.
Para Irmã Marli Araújo da Silva, presidente da Câmara de Mantenedoras da ANEC, o encontro permitiu aprofundar as reflexões sobre a encíclica Magnífica Humanitas, do Papa Leão XIV, e seus desdobramentos para as instituições de educação católica no Brasil. Ela também destacou o debate sobre inteligência artificial e políticas digitais como um dos pontos de chegada do Fórum.
“Estamos muito felizes e acreditamos que voltamos para casa com a bagagem cheia de novas coisas ou, pelo menos, com o espírito renovado para vivenciar tudo aquilo que a gente tem que vivenciar em nossas instituições”, afirmou.
A diretora-presidente da ANEC, Irmã Iraní Rupolo, destacou que o Fórum vem se consolidando como espaço de qualificação e fortalecimento das mantenedoras, especialmente diante dos desafios atuais para a Igreja e para a educação. Segundo ela, a encíclica Magnífica Humanitas oferece elementos importantes para refletir sobre a relação entre a formação humana e o avanço da inteligência artificial.
“Não estamos preparados para lidar com a inteligência artificial. Precisamos nos preparar. E, se todos estivermos mais vigilantes, poderemos nos ajudar mais e evoluir melhor como pessoas”, destacou.
A dirigente ressaltou ainda que o Evangelho permanece como base das reflexões e dos encaminhamentos das instituições católicas. Nesse contexto, o encontro reforçou a necessidade de unir responsabilidade, cuidado, formação e vigilância diante das transformações provocadas pelas novas tecnologias.
O encontro foi encerrado com uma bênção de envio conduzida pelo Padre Geraldo Adair a todos os presentes.
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