Notícias

Fórum da ANEC destaca liderança humanizada e uso responsável da inteligência artificial na educação

08/10/2026
Por  ANEC Comunicação

O segundo dia do Fórum de Presidentes e Gestores da ANEC 2026 reuniu reflexões sobre liderança, comunicação, saúde organizacional e os impactos da inteligência artificial no ambiente educacional. Ao longo da programação, especialistas e gestores reforçaram que os novos desafios tecnológicos precisam ser acompanhados por uma liderança capaz de preservar a centralidade da pessoa humana e a identidade das instituições católicas.

A programação começou com um momento de espiritualidade conduzido pelo Padre Joãozinho e seguiu com a conferência “Entre a missão evangelizadora, a inovação e as novas tecnologias, construindo respostas para os desafios do nosso tempo”, conduzida pelo Ir. Jardelino Menegat, vice-presidente da Rede La Salle Brasil.

Ao abordar o papel dos gestores, Ir. Jardelino destacou que a liderança educacional precisa ser, ao mesmo tempo, evangelizadora, inspiradora, estratégica e mobilizadora. Para ele, liderar vai além do gerenciamento de rotinas e metas: significa buscar sentido, unir propósitos e construir caminhos junto às pessoas. “A liderança se constrói junto das pessoas, e não acima delas”, ressaltou.

Segundo o Irmão, o planejamento também é uma ferramenta de proteção da missão institucional. Um planejamento bem construído reduz a sobrecarga e os improvisos, dá segurança às equipes, esclarece responsabilidades e contribui para preservar a identidade da instituição diante das pressões externas.

Comunicação, transparência e cuidado com as pessoas

A programação também abordou a comunicação como competência essencial para a liderança. Na conferência “Liderança comunicadora: como influenciar com clareza e propósito”, a pedagoga e gerente pedagógica do LIV – Laboratório Inteligência de Vida, Paloma Bastos, destacou a importância de comunicar com clareza, estabelecer prioridades e limites, reconhecer erros, superar o perfeccionismo e atuar coletivamente.

Outro tema foi a transparência e a cultura organizacional, apresentado pela psicóloga e especialista em Gestão de Pessoas Maurikeli Teles. A especialista chamou a atenção dos gestores para a necessidade de conciliar resultados e cuidado com os colaboradores.

A avaliação de desempenho, segundo a reflexão apresentada, deve ser utilizada como instrumento de desenvolvimento, e não de punição. A palestrante também destacou a importância de criar canais de escuta e de observar sinais relacionados à saúde emocional dos profissionais.

Inteligência artificial exige novas respostas da educação

Um dos principais momentos do segundo dia foi a discussão sobre inteligência artificial. Na conferência “IA na Educação, ferramentas de gestão, ética e formação humana”, o professor e cientista político Israel Batista destacou que a tecnologia já está presente no cotidiano de estudantes e instituições e que a educação precisa estabelecer como ela será utilizada a serviço da aprendizagem.

Para o especialista, a questão central deixou de ser descobrir se o estudante utilizou inteligência artificial para realizar uma atividade. O desafio agora é avaliar se houve aprendizagem durante o processo.

A presença da IA também exige uma revisão das formas tradicionais de avaliação. Segundo Batista, a facilidade de produzir respostas não significa necessariamente que o estudante tenha desenvolvido conhecimento, pensamento crítico ou capacidade de questionar as informações geradas pelas ferramentas.

Tecnologia como meio, não como fim

Para os participantes, o debate reforçou que a inteligência artificial pode contribuir para a educação e para a gestão, mas não substitui a dimensão humana da missão educativa.

Irmã Marcela Sarmento, diretora-presidente da Rede Damas Educacional, destacou a importância de discutir a tecnologia dentro da identidade das instituições católicas. Para ela, a inteligência artificial deve ser compreendida como um meio de aprendizagem e crescimento, com cuidado e cautela.

“A inteligência artificial não é um fim em si mesma, mas um meio para que a nossa missão de evangelização e a Palavra de Deus também possam ser propagadas”, afirmou.

A mesma preocupação foi expressa por gestores participantes do Fórum. Padre Elson Mauro, do Colégio São Paulo da Cruz, em Belo Horizonte, destacou que a gestão precisa estar a serviço da pessoa humana e que as decisões nas instituições devem ser cada vez mais abertas e participativas.

Irmã Noemi Machado, gestora da Rede de Educação e representante do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Governador Valadares (MG), ressaltou que o encontro oferece novas perspectivas para o exercício da missão educativa diante dos desafios atuais, incluindo as questões socioemocionais de professores, estudantes e famílias.

Já Irmã Neide Jane Farias, presidente da mantenedora Associação Franciscana da Divina Providência, em Duque de Caxias (RJ), destacou a importância de manter o carisma e a missão das instituições ao mesmo tempo em que se desenvolve uma visão crítica sobre as novas tecnologias.

Encerramento do Fórum

Para Irmã Marli Araújo da Silva, presidente da Câmara de Mantenedoras da ANEC, o encontro permitiu aprofundar as reflexões sobre a encíclica Magnífica Humanitas, do Papa Leão XIV, e seus desdobramentos para as instituições de educação católica no Brasil. Ela também destacou o debate sobre inteligência artificial e políticas digitais como um dos pontos de chegada do Fórum.

“Estamos muito felizes e acreditamos que voltamos para casa com a bagagem cheia de novas coisas ou, pelo menos, com o espírito renovado para vivenciar tudo aquilo que a gente tem que vivenciar em nossas instituições”, afirmou.

A diretora-presidente da ANEC, Irmã Iraní Rupolo, destacou que o Fórum vem se consolidando como espaço de qualificação e fortalecimento das mantenedoras, especialmente diante dos desafios atuais para a Igreja e para a educação. Segundo ela, a encíclica Magnífica Humanitas oferece elementos importantes para refletir sobre a relação entre a formação humana e o avanço da inteligência artificial.

“Não estamos preparados para lidar com a inteligência artificial. Precisamos nos preparar. E, se todos estivermos mais vigilantes, poderemos nos ajudar mais e evoluir melhor como pessoas”, destacou.

A dirigente ressaltou ainda que o Evangelho permanece como base das reflexões e dos encaminhamentos das instituições católicas. Nesse contexto, o encontro reforçou a necessidade de unir responsabilidade, cuidado, formação e vigilância diante das transformações provocadas pelas novas tecnologias.

O encontro foi encerrado com uma bênção de envio conduzida pelo Padre Geraldo Adair a todos os presentes. 


Remodal

Faça sua busca

Para busca pelas associadas, utilize a ferramenta diretamente na página Associadas

Para as demais buscas no site, use palavras-chave que facilitem sua busca. Não é necessário utilizar conectivos, artigos ou conjunções. Ex: “seminário mantenedoras” em vez de “seminário de mantenedoras”