A atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais entre as obrigações das empresas e instituições colocaram a saúde mental definitivamente no radar da gestão escolar. O tema foi debatido durante a Reunião Ampliada do Fórum de Presidentes e Gestores da ANEC, realizada em 30 de abril, reunindo lideranças educacionais de todo o país.
A formação contou com a participação da psicóloga especialista em gestão de pessoas Maurikeli Teles e da assessora jurídica da ANEC, Dra. Vera Maria Barbosa, que abordaram os impactos das mudanças regulatórias no ambiente educacional e os desafios relacionados à prevenção do adoecimento emocional nas instituições.
Ao longo do encontro, as especialistas alertaram que os riscos psicossociais deixaram de ser apenas um tema ligado ao bem-estar corporativo e passaram a integrar oficialmente as exigências relacionadas à saúde e segurança do trabalho. Na prática, isso significa que escolas e instituições precisarão monitorar fatores como assédio moral, sobrecarga mental, pressão excessiva, desgaste emocional e problemas de clima organizacional.
Segundo Maurikeli Teles, o crescimento dos casos de ansiedade, depressão e esgotamento emocional já vinha sendo observado nos últimos anos, mas ganhou proporções ainda maiores após a pandemia. Dados apresentados durante a formação mostram que cerca de 8,85% dos afastamentos do trabalho no Brasil, em 2022, estiveram relacionados a transtornos emocionais.
No setor educacional, o cenário preocupa ainda mais. Pesquisas citadas durante o encontro apontam que 86% dos professores apresentam sintomas ligados ao esgotamento emocional e que profissionais da educação possuem até três vezes mais chances de desenvolver transtornos emocionais em comparação com outras categorias profissionais. Além disso, 43% dos docentes já pensaram em deixar a profissão.
“A gente precisa garantir que o ambiente de trabalho seja saudável para todos os trabalhadores”, afirmou Maurikeli ao defender que o gerenciamento dos riscos psicossociais precisa envolver cultura organizacional, liderança, comunicação e estrutura de trabalho.
Um dos pontos centrais do debate foi o papel das lideranças na prevenção dos riscos emocionais dentro das instituições de ensino. Segundo as especialistas, gestores preparados conseguem identificar sinais de sofrimento emocional, acompanhar equipes de forma mais próxima e criar ambientes mais seguros e acolhedores.
Maurikeli destacou que habilidades como escuta ativa, empatia e comunicação não violenta passaram a ser competências essenciais para quem ocupa posições de liderança. Durante a apresentação, ela citou um estudo publicado pela Harvard Business Review em 2022 mostrando que gestores que desenvolvem práticas de escuta e comunicação respeitosa conseguem reduzir em até 40% os índices de absenteísmo e conflitos organizacionais.
“A liderança é uma das principais ferramentas de prevenção”, explicou a psicóloga ao defender investimentos contínuos na formação de gestores.
Na abordagem jurídica, Dra. Vera Maria Barbosa explicou que a atualização da NR-1 amplia significativamente a responsabilidade das instituições em relação à saúde emocional dos trabalhadores. Segundo ela, não basta apenas possuir programas formais de segurança do trabalho. As organizações precisarão demonstrar ações efetivas de prevenção, monitoramento e acompanhamento dos riscos psicossociais.
A assessora jurídica ressaltou que fatores como assédio moral, excesso de demandas, pressão constante e falhas de gestão passam a ser considerados elementos de risco ocupacional.
Ela também chamou atenção para a importância do mapeamento organizacional e das pesquisas de clima interno como ferramentas capazes de identificar setores com maior desgaste emocional, problemas de relacionamento e sinais de adoecimento mental entre colaboradores.
Outro tema debatido foi a criação de canais seguros de escuta dentro das instituições. As especialistas defenderam que os colaboradores precisam encontrar ambientes confiáveis para relatar dificuldades, conflitos e situações de sofrimento emocional sem medo de exposição ou retaliação.
Além dos impactos humanos, a formação também discutiu os reflexos financeiros do adoecimento emocional nas organizações. Dados apresentados com base em levantamento da Organização Mundial da Saúde indicam que cada R$ 1 investido em saúde mental pode gerar retorno médio de R$ 4 por meio da redução do absenteísmo, da rotatividade e do aumento da produtividade.
Ao encerrar o encontro, a Professora Fabiana Deflon, gerente da Câmara de Mantenedoras, reforçou que o cuidado com as pessoas e o fortalecimento das lideranças fazem parte do compromisso das instituições católicas com uma educação mais humana, sustentável e alinhada aos desafios contemporâneos do trabalho e da gestão educacional.
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