Dando sequência à agenda estratégica do dia 17/4, a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC) realizou uma reunião com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em Brasília, reunindo reitores e reitoras de instituições comunitárias confessionais para discutir a avaliação dos cursos de licenciatura e os desafios estruturais da formação de professores no país. A iniciativa reforça a atuação da ANEC na articulação de pautas prioritárias do ensino superior e na qualificação do diálogo com os órgãos responsáveis pela regulação e avaliação educacional.
No encontro, que também contou com a presidente da ANEC, Irmã Iraní Rupolo; o vice-presidente, Pe. Charles Lamartine; o secretário-executivo, Guinartt Diniz; e as gerentes das Câmaras de Mantenedoras e de Ensino Superior, Fabiana Deflon e Roberta Guedes, respectivamente, foram debatidos os novos instrumentos de avaliação do ensino superior, a divulgação de indicadores sobre a qualidade da formação docente e as dificuldades enfrentadas pelas instituições para atrair e manter estudantes nos cursos voltados à docência.
O grupo foi recebido pelo presidente do instituto, Manuel Palácios, pelo diretor de Avaliação da Educação Superior, Ulysses Teixeira, e outros diretores do INEP.
Nova avaliação das licenciaturas
Durante a reunião, Palácios informou que o Inep deve divulgar, nos próximos dias, um novo indicador nacional para medir a formação de professores nas instituições de ensino superior. Pela primeira vez, os resultados deverão apontar quais universidades formam docentes em quantidade significativa e com qualidade comprovada.
Segundo ele, a proposta é identificar as instituições que conseguem entregar bons resultados na formação docente e direcionar políticas públicas de apoio e expansão para esses centros. “O país precisa ampliar a formação de professores com qualidade. Precisamos chegar a cerca de 100 mil novos docentes formados por ano para atender à educação básica”, afirmou.
O presidente do Inep também defendeu maior participação das universidades privadas, comunitárias e confessionais nesse esforço nacional, destacando que a rede pública sozinha não conseguirá suprir a demanda por professores.
Ao INEP, reitores relataram dificuldades crescentes para atrair estudantes para cursos de formação docente. A avaliação é que o país vive uma nova crise na formação de professores.
A reitora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, profa. Olga Ronchi, afirmou que muitas universidades mantêm licenciaturas pela relevância para o país e por compromisso educacional, apesar das dificuldades financeiras.
Segundo ela, cursos como química, física, matemática e biologia muitas vezes funcionam com turmas reduzidas, o que torna a manutenção das graduações um desafio para as instituições.
Outro tema debatido foi a dificuldade de firmar convênios com redes de ensino para garantir o estágio supervisionado, etapa essencial na formação de professores.
Reitores também apontaram instabilidades regulatórias ligadas aos novos instrumentos de avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Entre as propostas discutidas estão a criação de um guia para aplicação dos instrumentos avaliativos e um roteiro padronizado para visitas das comissões de avaliação. As sugestões devem ser encaminhadas para consulta pública.
Ao final das reuniões, dirigentes da ANEC avaliaram que o dia representou um avanço no diálogo entre o setor e os órgãos responsáveis pelas políticas educacionais.
Para a reitora da PUC Goiás, profa. Olga Ronchi, a agenda reforçou a necessidade de ampliar a presença das universidades comunitárias nas discussões sobre regulação e avaliação da educação superior.
Segundo ela, o encontro marcou um momento raro de diálogo institucional.
“O campo das comunitárias confessionais precisa ganhar mais espaço de diálogo com quem define as políticas públicas da educação superior. Foi um dia memorável. Não me lembro de termos tido recentemente um diálogo tão profícuo com o Conselho Nacional de Educação e com o Inep”, afirmou.
Ela destacou que o fortalecimento dessa interlocução é importante especialmente em um momento de revisão dos instrumentos de avaliação e de novas políticas de regulação. “Precisamos estar na mesa onde as decisões são tomadas”, acrescentou.
O vice-presidente da ANEC, Padre Charles Lamartine, também avaliou positivamente os encontros e ressaltou a importância de aproximar as instituições comunitárias confessionais do Governo Federal. Segundo ele, o objetivo é construir uma relação de cooperação para aprimorar a qualidade da educação superior no país.
“Foi um encontro importante para criar sinergia em torno da seriedade do nosso trabalho e compreender melhor os rumos da educação no Brasil”, afirmou.
Lamartine também destacou a relevância das universidades comunitárias confessionais no desenvolvimento regional.
“Essas instituições representam suas comunidades. Elas permitem que os estudantes se formem em suas próprias regiões e contribuam para o crescimento e a emancipação do povo local”, disse. Para ele, o fortalecimento das instituições comunitárias têm impacto direto no desenvolvimento social e educacional do país.
Para busca pelas associadas, utilize a ferramenta diretamente na página Associadas
Para as demais buscas no site, use palavras-chave que facilitem sua busca. Não é necessário utilizar conectivos, artigos ou conjunções. Ex: “seminário mantenedoras” em vez de “seminário de mantenedoras”