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Espiritualidade: Momento de oração (24/03/2020 a 18/04/2020)

18/04/2020
Por  ANEC Comunicação

18/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Aleluia!

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Marcos 16,9-15

Glória a vós, Senhor!

9Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. 12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Aleluia!

Salmo 117 (118),1.14-16.18-21

A pedra rejeitada tornou-se a pedra angular (At 4,11)

Antífona: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes. Aleluia!

1Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!

“Eterna é a sua misericórdia!”

14O Senhor é minha força e o meu canto,

e tornou-se para mim o Salvador.

15“Clamores de alegria e de vitória

ressoem pelas tendas dos fiéis.

16A mão direita do Senhor fez maravilhas,

a mão direita do Senhor me levantou,

a mão direita do Senhor fez maravilhas!”

18O Senhor severamente me provou,

mas não me abandonou às mãos da morte.

19Abri-me vós, abri-me as portas da justiça;

quero entrar para dar graças ao Senhor!

20“Sim, esta é a porta do Senhor,

por ela só os justos entrarão!”

21Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes

e vos tornastes para mim o Salvador!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes. Aleluia!

Breve reflexão

Esta concisa narrativa, sobre as aparições de Jesus Ressuscitado, está enquadrada por um ponto de partida cronológico: na madrugada do primeiro dia após o sábado; e por uma ordem: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura. A Ressurreição do Senhor, assim, é a nova criação que ocorre em um novo começo temporal e que se torna a mensagem a ser dirigida para toda a humanidade que precisa saber que foi liberta e redimida em Jesus Cristo. Dentro desse enquadramento encontram-se noticiadas três aparições de Jesus que seguem um movimento de crescente evidência: a uma, a dois e aos onze.

A primeira foi para Maria Madalena. É um dado comum a todos os relatos. Ela é a figura protagonista desse grande feito, pois, como mulher, é sinal da nova Eva e de uma maternidade renovada na Igreja. Assim, como Deus condenou e baniu a serpente astuta no paraíso, Jesus expulsou dela sete demônios. Somente uma pessoa livre se torna instrumento de libertação dos demais. Esta notícia também se encontra em Lc 8,2 que alude à cura que Jesus operou para algumas mulheres, dentre estas menciona-se Maria Madalena. A lembrança dessa ação libertadora de Jesus na vida de Maria Madalena serve para atestar, por um lado, o poder de Jesus sobre os inimigos invisíveis e, por outro lado, para intensificar a credibilidade do anúncio trazido por ela aos demais.

Nota-se que, apesar dos sentimentos de tristeza atestados: estavam de luto e chorando, o anúncio da ressurreição foi ouvido, mas não ecoou, pois não quiseram acreditar. Falhou a primeira tentativa de convencer os seguidores de Jesus pela voz de uma mulher fiel.

A segunda aparição lembra a que ocorreu ao longo do caminho de Emaús a Cléofas e ao outro discípulo em Lc 24,13-35. O diferencial está na reação negativa dos seguidores de Jesus, pois se o testemunho de uma pessoa não era considerado válido (Dt 19,15), tampouco deram crédito ao testemunho de duas pessoas. Falhou, igualmente, a segunda tentativa.

Juntas, essas duas primeiras tentativas demonstram o quanto a mente e o coração dos Onze, isto é, das lideranças, estavam fechados para o anúncio da ressurreição. Assim, a dificuldade em crer não foi só de Tomé (Jo 20,29), não aconteceu no âmbito externo da Igreja, mas interno e com os que deveriam ser os primeiros a acolher, com alegria, a boa notícia. Um dado particular: nenhum apóstolo foi mencionado por nome. A cifra onze indica a perda de Judas Iscariotes e que o número doze ainda não fora preenchido (At 2,15-26).

A terceira aparição foi para os Onze discípulos e ocorreu enquanto estavam comendo (Lc 24,36-43; At 10,41). Este detalhe permite evocar a última ceia, na qual Jesus havia antecipado para os discípulos a sua vitória sobre a morte. Não se pode esquecer que fazer memória em nome de Jesus não é um mero rito simbólico e tampouco mágico. É o sinal da presença de Jesus Ressuscitado no meio da comunidade de fé reunida em seu nome.

A incredulidade e a dureza de coração dos Onze formam uma barreira que se demonstrou positiva, pois somente pessoas convencidas se dispõem a convencer as demais. O motivo da repreensão está intimamente ligado ao testemunho de Maria Madalena e dos dois discípulos que o tinham visto ressuscitado. É nesse contexto, que Jesus confia-lhes a missão universal: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura. Assim, se experimenta, na própria pele, as dificuldades quanto ao anúncio, mas, também, se experimenta a adesão dos que, sem terem visto, hão de crer em Jesus. Se os líderes se demonstram incrédulos e duros, deixando de cumprir seu dever, como os membros da comunidade hão de obedecer à fé?

Preces

Oremos a Jesus Cristo que, ressuscitando dos mortos, destruiu a morte e renovou a vida; e digamos, cheios de confiança:

  1. Cristo, vivo para sempre, escutai a nossa prece!

Vós, que sois a pedra rejeitada pelos construtores, mas escolhida pelo Pai como pedra angular, fazei de nós pedras vivas na edificação de vossa Igreja. R.

Vós, que sois a Testemunha fiel e verdadeira, o Primogênito dentre os mortos, concedei que a vossa Igreja possa dar sempre e em toda a terra o testemunho da vossa ressurreição. R.

Vós, que sois o Esposo único da Igreja, nascida de vosso lado aberto na cruz, fazei de nós testemunhas do vosso amor pela Igreja e por toda a humanidade. R.

Vós, que sois o Princípio e o Fim, que estivestes morto e agora viveis eternamente, concedei aos batizados o dom da perseverança até à morte, para que mereçam a coroa da vitória. R.

Vós, que sois a Luz que ilumina a santa cidade de Deus, iluminai com vosso esplendor os nossos irmãos e irmãs falecidos, para que reinem convosco eternamente na glória. R.

Comunhão espiritual

Creio, meu dulcíssimo Jesus, que estais real e verdadeiramente presente à direita de Deus Pai e no Santíssimo Sacramento do Altar, sobre as espécies consagradas do pão e do vinho.  Eu vos amo sobre todas as coisas e desejo, vivamente, receber-vos dentro do meu ser. Não podendo, agora, vos receber sacramentalmente, vinde, ao menos, espiritualmente na minha vida, em minha mente e em meu coração. Em meu íntimo e com todo o fervor, me uno a vós e aos meus irmãos e irmãs. Senhor, que eu nunca me separe de vós. Amém.

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Para a nossa vivência

Quando se constata, em uma comunidade de fé, a falta de união entre os seus membros no que é essencial, todo o conjunto das ações fica comprometido. A função pastoral dos líderes é promover e lutar pela unidade da fé, sem a qual não se consegue alcançar o objetivo da missão: salvar o ser humano e, com ele, toda a criação. Para isso, porém, é preciso crer e confessar que Jesus de Nazaré é Cristo e Senhor (Rm 10,5-13). A fé, que se espera encontrar nos fiéis, deve estar viva e presente, em primeiro lugar, nos seus pastores.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

17/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco. – Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Lançai a rede à direita da barca, e achareis.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 21,1-14

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. 6Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Lançai a rede à direita da barca, e achareis.

Salmo 135(136),1-4.24-26 – Hino pascal pelas maravilhas de Deus

Anunciar as maravilhas de Deus é louvá-lo (Cassiodoro)

Antífona: Demos graças ao Senhor porque ele é bom e fez grandes maravilhas. Aleluia.

1 Demos graças ao Senhor, porque ele é bom:
Porque eterno é seu amor!
2 Demos graças ao Senhor, Deus dos deuses:
Porque eterno é seu amor!
3 Demos graças ao Senhor dos senhores:
Porque eterno é seu amor!

4 Somente ele é que fez grandes maravilhas:
Porque eterno é seu amor!

24De nossos inimigos libertou-nos:

Porque eterno é o seu amor!

25A todo ser vivente ele alimenta:

Porque eterno é o seu amor!

26Demos graças ao Senhor, o Deus dos céus:

Porque eterno é o seu amor!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Demos graças ao Senhor porque ele é bom e fez grandes maravilhas. Aleluia.

Breve reflexão

Esta última aparição de Jesus Ressuscitado, narrada no epílogo do Quarto Evangelho, ocorreu no lago de Tiberíades; um lugar significativo e que tem a ver com a vocação dos primeiros discípulos. O ponto de partida ambienta-se na decisão de Pedro: vou pescar, que, de imediato, recebe a adesão de outros seis discípulos que dizem: vamos também nós contigo. Entre eles estão: Tomé, Natanael, os dois filhos de Zebedeu e outros dois. De acordo com o v. 7, um deles, excluindo Pedro, é o discípulo amado. Estes são os protagonistas do episódio e sobre eles se falará com detalhes. A pesca ocorreu durante a noite, mas foi um fracasso e, de certa forma, tem o seu paralelo em Lc 5,1-11.

Ao amanhecer, Jesus apareceu à beira do lago, mas os discípulos não se deram conta que era ele. A pergunta dirigida é íntima: filhinhos, tendes algo para comer? A resposta é negativa e dura. À primeira vista, pode-se pensar que a necessidade parte de Jesus, mas é possível ver o sentido oposto, isto é, a pergunta de Jesus reflete a sua preocupação pelos discípulos, como um pai se preocupa pela alimentação dos filhos. Isto justificaria o apelativo de filhinhos.

Diante dessa resposta, vem uma orientação: lançai a rede à direita da barca e achareis. Sem hesitação, lançaram, encontraram e a dificuldade foi invertida. Se esta, antes, deveu-se pela falta de peixes, agora deve-se à grande quantidade de peixes. Ante o fato extraordinário, também sem hesitar, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! Faz sentido que Pedro seja o destinatário dessa fala, pois ele havia tomado a decisão de pescar. Ele quis fazer algo sem envolver os demais; estes, porém, livremente, se dispuseram a segui-lo.

A reação de Pedro não é tão insólita quanto ao seu estado despojado: estava nu. É um dado que deve ser visto além do aspecto material, pois a prontidão de Pedro: vestiu sua roupa e lançou-se ao mar é uma alusão antecipada à sua disposição para enfrentar a morte, como se verificará nas palavras de Jesus, após receber a tríplice confissão do amor nos vv. 18-19.

A confirmação do interesse de Jesus pelos discípulos aparece no fato de já encontrarem peixe sobre as brasas acesas e pão. A participação deles, porém, é requerida: Trazei alguns dos peixes que apanhastes. Por um lado, os demais discípulos tinham trazido a barca, com a rede cheia de peixes, para a margem do lago. Por outro lado, Pedro é quem obedece a ordem de Jesus e foi buscar os peixes. Sozinho, arrastou a rede para a terra com cento e cinquenta e três peixes. Uma notícia importante foi acrescentada: a rede não se rompeu. Dado que simboliza a unidade da comunidade de fé. Mas, qual o significado do número específico de peixes?

Difícil de dar uma resposta. Pode-se pensar nos tipos de peixes existentes no lago. Pode-se pensar na soma de 1 + 2 + 3 + 4 até 17. Este último resultaria de 10, número que indica Deus, mais 7, número perfeito, obtido da soma de 3, também número que também indica Deus, pois Deus é Santo, Santo, Santo (Is 6,3), mais 4, número que indica a realidade criada (4 tipos de ventos; 4 fases da lua; 4 estações do ano; 4 pontos cardiais). Além dessas possíveis explicações, o número cento e cinquenta e três seria uma alusão ao número de comunidades cristãs existentes que, no final do século I d.C., já reconheciam o primado de Pedro.

Jesus, após o cumprimento da ordem por Pedro, é o sujeito de todas as ações. É quem chama para comer e é quem distribui, entre eles, o pão e o peixe. Depois de ressuscitado, continua a exercer a sua diaconia. A alimentação dos discípulos, feita por Jesus, aponta para a sua preocupação com a fé e a missão dos seus discípulos. Sabe-se que a celebração da fração do pão ocorria pelas casas. Se considerarmos o pão e o peixe como símbolos eucarísticos, a cena poderia aludir à necessidade de se celebrar onde fosse possível. Enfim, a notícia da terceira aparição indica um sentido de manifestação completa, acrescido de um dado fundamental sobre quem é Jesus: o ressuscitado dos mortos.

Preces

Glorifiquemos a Jesus Ressuscitado, caminho, verdade e vida; e o invoquemos, dizendo:

  1. Filho de Deus vivo, vencedor da morte, abençoai o vosso povo!

Nós vos pedimos pelos ministros da Igreja, que repartem o pão da vida entre os irmãos, para que sejam também eles alimentados e fortalecidos pelo mesmo pão que distribuem. R.

Nós vos pedimos por todo o povo cristão, para que viva sua vocação de maneira digna, e, em meio às dificuldades, mantenha sempre a unidade de espírito no vínculo da paz. R.

Nós vos pedimos por todos os que nos governam, para que exerçam suas funções com sabedoria, justiça e retidão, promovendo, no meio do povo, a concórdia e a paz. R.

Nós vos pedimos que nos torneis dignos de celebrar a vossa ressurreição em comunhão com os santos e com nossos irmãos falecidos, que confiamos à vossa infinita misericórdia. R.

No silêncio do seu coração, faça a sua prece

Agora, façamos a nossa comunhão espiritual

Creio, meu dulcíssimo Jesus, que estais real e verdadeiramente presente à direita de Deus Pai e no Santíssimo Sacramento do Altar, sobre as espécies consagradas do pão e do vinho.  Eu vos amo sobre todas as coisas e desejo, vivamente, receber-vos dentro do meu ser. Não podendo, agora, vos receber sacramentalmente, vinde, ao menos, espiritualmente na minha vida, em minha mente e em meu coração. Em meu íntimo e com todo o fervor, me uno a vós e aos meus irmãos e irmãs. Senhor, que eu nunca me separe de vós. Amém.

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Para a nossa vivência

A pesca milagrosa é iluminada pela aparição do Senhor Ressuscitado. É a vida e a ação da Igreja representada pelos sete apóstolos, tendo Pedro como protagonista na decisão de ir pescar, isto é, realizar a missão que lhe foi confiada e, recebendo dos demais, a adesão em sinal de unidade. Esta missão, porém, sem a fé na Palavra do Senhor, resulta inútil e não recolhe frutos. Assim é, também, a nossa vida se não está marcada pela fé obediencial na presença e na ação do Senhor Ressuscitado.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

16/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: A paz esteja convosco!

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas 24,35-48

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” 37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: A paz esteja convosco!

Salmo 117(118),5-9 – Canto de alegria e salvação

A pedra desprezada pelos construtores tornou-se a pedra angular (At 4,11)

Antífona: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! Aleluia.

5 Na minha angústia eu clamei pelo Senhor,
e o Senhor me atendeu e libertou!
6 O Senhor está comigo, nada temo;
o que pode contra mim um ser humano?

7 O Senhor está comigo, é o meu auxílio,
hei de ver meus inimigos humilhados.
8 É melhor buscar refúgio no Senhor,
do que pôr no ser humano a esperança;

9 é melhor buscar refúgio no Senhor,
do que contar com os poderosos deste mundo!’

14 O Senhor é minha força e o meu canto, *
e tornou-se para mim o Salvador.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia! Aleluia.

Breve reflexão

Os relatos da aparição a Simão Pedro e aos dois discípulos de Emaús colocaram em ação a fé da igreja. É nesse contexto que ocorre a nova aparição de Jesus Ressuscitado que comunica o dom inefável que brota da reconciliação operada na cruz: A paz esteja convosco! Nota-se que a presença do Ressuscitado e a sua saudação de paz perturbaram os discípulos, pensando que estavam vendo um fantasma, isto é, algo irreal. É a inversão da lógica humana de felicidade.

Contudo, Jesus revela o que, de fato, estava acontecendo: Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração. Por isso, Jesus apresenta a prova da realidade: Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Diante deles está o Ressuscitado, isto é, aquele que sabiam ter sido crucificado. À diferença de Jo 20,17, Jesus manda que o toquem e acrescenta: um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho. Por esta declaração de Jesus, pode-se dizer que o corpo glorioso permanecerá com as suas especificidades naturais.

Ainda assim, continua a mistura de incredulidade, alegria e estupefação. O evangelista tenta dizer, por palavras, o que estava acontecendo. É, por isso, que Jesus Ressuscitado vem ajudá-los com mais uma prova: Tendes, aqui, alguma coisa para comer? E, diante deles, comeu um pedaço de peixe assado. A dificuldade em crer serve para atestar a veracidade da experiência de fé. Como na fração do pão, na casa de Cléofas, também, aqui, o peixe é um símbolo eucarístico, como se verifica na aparição à margem do lago de Tiberíades em Jo 21,1-15.

Após a prova da sua existência real, Jesus faz uma instrução, recorrendo às Escrituras. Lucas oferece a subdivisão segundo a TaNak: Lei (Torá), Profetas (Nebi’îm) e Salmos (Ketubîm). Esse momento faz lembrar uma fala de Jesus: tenho muitas coisas a vos dizer, mas, agora, não sois capazes de suportar o peso (Jo 16,12). Para Jesus, tudo vem no tempo devido. Era preciso que ocorresse, primeiro, o Mistério Pascal e, assim, pudesse abrir a inteligência dos discípulos para entender as Escrituras, isto é, a vontade do Pai a favor da humanidade: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Sem essa compreensão, não seria possível determinar a missão e o seu cumprimento: Vós sereis testemunhas de tudo isso.

Percebe-se, assim, que a missão e o testemunho, aos quais os apóstolos foram chamados, são realidades intrinsecamente ligadas na Igreja e se alimentam mutuamente. A ênfase que recai sobre Jerusalém é um elemento próprio da teologia lucana. A Cidade Santa é o ponto de chegada para Jesus cumprir a sua missão e é o ponto de partida para os discípulos iniciarem a sua missão, na direção do mundo inteiro.

Preces

Unidos num só coração e numa só alma, invoquemos a Cristo ressuscitado, sempre presente em sua Igreja e agindo a favor do ser humano; e digamos:

  1. Ficai conosco, Senhor!

Senhor Jesus, vencedor do pecado e da morte, permanecei no meio de nós, mostrando-nos o caminho que devemos seguir, vós, que viveis e reinais pelos séculos sem fim. R.

Vinde em auxílio de nossas fraquezas e enfermidades com vosso poder invencível e a vossa infinita misericórdia, revelando aos nossos corações a infinita bondade de Deus Pai. R.

Salvai o mundo da violência, da discórdia e desta pandemia que se alastra e está fazendo tantas vítimas mortais, porque só vós tendes poder para renovar, reconciliar e salvar. R.

Confirmai-nos na fé da vitória final, e fortalecei-nos na esperança da vossa vinda gloriosa. R.

No silêncio do seu coração, faça a sua prece

Comunhão espiritual

Creio, meu dulcíssimo Jesus, que estais real e verdadeiramente presente à direita de Deus Pai e no Santíssimo Sacramento do Altar, sobre as espécies consagradas do pão e do vinho.  Eu vos amo sobre todas as coisas e desejo, vivamente, receber-vos dentro do meu ser. Não podendo, agora, vos receber sacramentalmente, vinde, ao menos, espiritualmente na minha vida, em minha mente e em meu coração. Em meu íntimo e com todo o fervor, me uno a vós e aos meus irmãos e irmãs. Senhor, que eu nunca me separe de vós. Amém.

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Para a nossa vivência

Nossa atitude frente às aparições de Jesus Ressuscitado não precisa ser distinta da forma como Lucas as relatou. Os gestos de tocar e comer continuam valendo em nossa vida de fé, pois na Páscoa também permanece uma realidade física: tocai-me um fantasma não tem carne e ossos como estais vendo que eu tenho. É o recomeço, na história, da vida humana redimida por Deus e que deve se difundir por toda a terra. Aqui cabe uma pergunta: reconhecemos que Jesus Ressuscitado está vivo e nos espera no próximo, em particular no mais necessitado que precisa ser tocado com afeto e alimentado com caridade?

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

15/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco. – Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas 24,13-35

Glória a vós, Senhor!

13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!

Salmo 104,1-5 (105) – O Senhor é fiel às suas promessas

Antífona: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

1Dai graças ao Senhor, gritai seu nome,

anunciai entre as nações seus grandes feitos!

2Cantai, entoai salmos para ele,

publicai todas as suas maravilhas!

3Gloriai-vos em seu nome que é santo,

exulte o coração que busca a Deus!

4Procurai o Senhor Deus e seu poder,

buscai constantemente a sua face!

5Lembrai as maravilhas que ele fez,

seus prodígios e as palavras de seus lábios!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Exulte o coração dos que buscam o Senhor.

Breve reflexão

Os versículos 13-19 oferecem uma ambientação concisa e detalhada; um dado cronológico: Naquele mesmo dia, o primeiro da semana; uma referência: dois dos discípulos de Jesus; um local de destino: iam para um povoado chamado Emaús; uma distância a ser percorrida desde o referencial entre duas e três horas a pé: onze quilômetros de Jerusalém; um assunto: conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido; um elemento surpresa: Jesus peregrino se aproximou e começou a caminhar com eles; uma condição dos discípulos: estavam como que cegos, e não o reconheceram; uma iniciativa do divino peregrino: Que ides conversando pelo caminho?; uma alusão ao estado emocional dos discípulos: Eles pararam, com o rosto triste; a alusão ao nome de um deles, chamado Cléofas, que responde à pergunta com outra pergunta: Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?”; o interesse pelo assunto: Ele perguntou: Que foi?

Do versículo 20 ao 24, os discípulos oferecem um resumo-interpretação dos acontecimentos entorno a Jesus Nazareno, com dados sobre a sua identidade e missão. Situação singular é a frustração dos discípulos: Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram. Nota-se que as informações dizem respeito ao antes e ao depois do dia da ressurreição. O que veio das mulheres é essencial, mas, apesar das constatações, permaneceu a incredulidade: A ele, porém, ninguém o viu.

Do versículo 25 ao 32, Jesus Ressuscitado assume o protagonismo da conversa e começa a instrução de uma forma dura, mas eficaz, percorrendo as Escrituras, ao ponto de suscitar, neles, a oferta da hospitalidade com muita sensibilidade: Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegado! Por certo, não é a visita que deveria servir a refeição, mas o evangelista tem um objetivo: mostrar a primeira eucaristia celebrada no domingo da Ressurreição pelo próprio Jesus. Segue-se o milagre-efeito da fração do pão: Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus, que, porém, desapareceu da frente deles.

O desfecho, versículos 32 a 35, revela a mudança que se deu na vida dos discípulos. Se houve preocupação com a noite, ao convidar o peregrino, após a revelação, ela deixou de ser um obstáculo e, sem hesitar, voltaram para Jerusalém. É aqui que se descobre porque foi feita a referência a onze quilômetros, para dar destaque ao grupo apostólico: onde encontraram os Onze reunidos com os outros. O ponto de encontro da experiência com o Ressuscitado se deu entre a aparição a Pedro: Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão, e o relato de Cléofas e do outro discípulo que contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. Assim, atesta-se a comunhão entre a Igreja de Jerusalém, chefiada, inicialmente, por Pedro, e a Igreja de Emaús, chefiada por Cléofas.

Preces

Oremos a Cristo nosso Senhor, que ressuscitou de entre os mortos e está sentado à direita do Pai; e digamos confiantes:

  1. RJesus Cristo, rei da glória, ouvi a nossa oração!

Lembrai-vos, Senhor, dos que se consagram ao vosso serviço e fortalecei os agentes de saúde, para que deem ao vosso povo o exemplo da verdadeira santidade na caridade. R.

Concedei aos governantes e legisladores o espírito de justiça e de paz, em particular nesse tempo de pandemia, para que reine a concórdia em toda a comunidade humana. R.

Orientai, em meio à adversidade, os caminhos de toda a humanidade para a esperança da salvação, e aumentai a bondade na terra para que os necessitados sejam socorridos. R.

Jesus Cristo, nosso Salvador, que, pela vossa ressurreição, nos libertastes da escravidão do pecado e da morte, concedei a luz eterna a todos os nossos irmãos e irmãs falecidos. R.

No silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Façamos, agora, a nossa comunhão espiritual

Creio, meu dulcíssimo Jesus, que estais real e verdadeiramente presente à direita de Deus Pai e no Santíssimo Sacramento do Altar, sobre as espécies consagradas do pão e do vinho. Eu vos amo sobre todas as coisas e desejo, vivamente, receber-vos dentro do meu ser. Não podendo, agora, vos receber sacramentalmente, vinde, ao menos, espiritualmente na minha vida, em minha mente e em meu coração. Em meu íntimo e com todo o fervor, me uno a vós e aos meus irmãos e irmãs. Senhor, que eu nunca me separe de vós. Amém.

Para a nossa vivência

Não seria difícil de se perceber, no episódio de Emaús, as partes da celebração da Missa: a vida dos discípulos a caminho: procissão de entrada; Jesus que se põe a caminho e interpela: ritos iniciais; Percorrer e explicar as Escrituras: Liturgia da Palavra; convite a permanecer e sentar-se à mesa para a refeição: Liturgia Eucarística; Compreensão do ocorrido e retorno a Jerusalém: ritos finais e missão. Deixemos, então, que o Senhor Jesus nos interpele como fez com os discípulos de Emaús. Com o coração aquecido por sua Palavra e alimentados pela Eucaristia abracemos a missão evangelizadora sem fazer distinção de pessoas.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

A todos e todas, um fraterno abraço e até o próximo momento de oração e espiritualidade Pe. Leonardo Agostini

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

14/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco. – Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Eu vi o Senhor! Aleluia, Aleluia.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 20,11-18

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Os anjos perguntaram: 13“Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: Mulher, por que choras? A quem procuras? Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu irei buscar”. Então, Jesus disse: 16“Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então, Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Eu vi o Senhor! Aleluia, Aleluia.

Salmo 62(63),2-9 – Sede de Deus

Vigia diante de Deus, quem rejeita as obras das trevas (1Ts 5,5)

Antífona: O Senhor ressuscitou, remiu-nos com o seu sangue e nos iluminou. Aleluia.

2Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!*

Desde a aurora ansioso vos busco!

A minh’alma tem sede de vós, †

minha carne também vos deseja,*

como terra sedenta e sem água!

3Venho, assim, contemplar-vos no templo,*

para ver vossa glória e poder.

4Vosso amor vale mais do que a vida:*

e por isso meus lábios vos louvam.

5Quero, pois, vos louvar pela vida,*

e elevar para vós minhas mãos!

6A minh’alma será saciada,*

como em grande banquete de festa;

Cantará a alegria em meus lábios,*

ao cantar para vós meu louvor!

7Penso em vós no meu leito, de noite,

nas vigílias suspiro por vós!

8Para mim fostes sempre um socorro;*

de vossas asas à sombra eu exulto!

9Minha alma se agarra em vós;*

com poder vossa mão me sustenta

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: O Senhor ressuscitou, remiu-nos com o seu sangue e nos iluminou. Aleluia.

Breve reflexão

A ressurreição de Jesus Cristo é um acontecimento inédito na história da humanidade. Então, como descrevê-lo? Um leitor atento percebe as diferenças ao ler as narrativas da ressurreição. Cada evangelista pensou, refletiu e escolheu o seu modo de narrar. Entre eles, o dado comum é o acontecimento: Jesus Cristo ressuscitou e apareceu para Maria de Magdala.

Esta discípula colocou-se diante do sepulcro e chorava, assumindo uma posição corporal e expressando estado de espírito. O sepulcro está aberto e, por isso, pôde inclinar-se e olhar para o seu interior. Constatou algo surpreendente: dois anjos vestidos de branco. Como soube que eram anjos? Havia, neles, algo que os identificasse? Duas coisas são afirmadas. A primeira diz respeito à posição que eles assumiram: estavam sentados em um lugar estratégico do sepulcro, onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um se colocou onde ficava a cabeça do morto e o outro onde ficavam os seus pés. São posições que indicam a totalidade.

Da visão, se passa ao diálogo, que tem início com uma pergunta: Mulher, por que choras? Ao que parece, os anjos, de dentro do sepulcro, além de ver, ouviram o choro. Na pergunta encontra-se o interesse pelo motivo e só Maria poderia revelar: Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram. Um saque foi feito e, nesse caso, o tesouro roubado não foi só o corpo, mas o que ele representa para Maria: meu Senhor. Não há uma réplica por parte dos anjos que, na dinâmica da narrativa, servem como testemunhas tanto da ressurreição como da experiência de fé que Maria está fazendo. Atesta-se, assim, que não é imaginação dela.

O olhar de Maria, agora, muda de posição: voltou-se para trás e viu Jesus de pé. É o narrador quem diz, pois ela ainda não sabia quem estava atrás dela. Novo diálogo tem início com uma pergunta idêntica, acrescida de uma segunda: Mulher, por que choras? A quem procuras? Era de se esperar uma resposta direta, mas, ao contrário, Maria, pensando que era o jardineiro, falou na condicional: Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar. Maria quer o corpo de Jesus de volta, para repô-lo num sepulcro. Está presa à morte.

O dado comum entre a primeira e a segunda resposta está no uso do substantivo: Senhor. Ao lado disso revela-se o íntimo de Maria: pensando que era o jardineiro. Isto está condizente com a descrição do local, pois Jesus havia sido sepultado em um jardim, onde havia um sepulcro novo (Jo 19,41). Esse jardim faz lembrar o que ocorreu no Jardim do Éden.

Diante da resposta personalizada de Jesus: Maria, demonstrando que a conhece pelo nome, uma nova posição e declaração ocorrem: Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: Rabuni. Designação usada somente aqui e em Mc 10,51, quando um cego pede para ver novamente. É o que Maria precisa: ver pela fé e além das aparências. O que Jesus diz a seguir: não me segures, dá a entender que Maria assumiu a posição de discípulo, lançando-se aos pés de Jesus. Postura de quem voltou a ver pela fé. Segue-se uma advertência motivada: ainda não subi para junto de meu Pai. Por certo, uma alusão à futura ascensão e que não contradiz a referência em At 1,3-11. Jesus Ressuscitado quer que Maria não apenas fique de pé, mas que se disponha a levar uma mensagem aos discípulos, denominados de irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. O destino de Jesus é o mesmo para os discípulos.

Maria de Magdala, com a visão recuperada: Eu vi o Senhor, pôs-se a caminho e foi comunicar a mensagem: contou o que Jesus lhe tinha dito. Assim, Maria, pelo conhecimento adquirido no Jardim da Ressurreição, à diferença de Eva em relação a Adão, transmitiu aos discípulos o fruto da árvore da vida, contra a morte, preparando, para eles, as aparições do Ressuscitado.

Preces

Exultemos de alegria em Jesus Cristo, nosso Senhor, que, ressuscitado de entre os mortos, reconstruiu o templo do seu corpo; e lhe supliquemos.

  1. R. Ouvi-nos, Senhor, pela vossa ressurreição!

Cristo, salvador do mundo, que anunciastes às santas mulheres e aos apóstolos a alegria da ressurreição, fazei-nos testemunhas do vosso triunfo pascal. R.

Vós, que prometestes a ressurreição a todos os que creem e que nos fará renascer para uma vida nova, tornai-nos fiéis mensageiros do vosso evangelho a todas as pessoas. R.

Vós, que, aparecendo aos apóstolos depois da ressurreição, lhes comunicastes o Espírito Santo, renovai-nos com os seus dons e que sejamos testemunhas fiéis do Evangelho. R.

Vós, que prometestes permanecer com os vossos discípulos até o fim do mundo, ficai conosco hoje e sempre, mostrando-nos como superar as dificuldades da vida. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Para a nossa vivência

O encontro de Maria de Magdala com Jesus Ressuscitado é uma cena forte e comovente. Encontro de duas vontades que se originam no amor que devolve a vida. O que aconteceu com ela, no tempo e no espaço daquele jardim, nos alcança no hoje da nossa existência com a mesma força e o mesmo empenho: levar a fé em Jesus Ressuscitado para os irmãos e irmãs, a fim de que saibam que todos somos filhos e filhas muito amados de Deus Pai.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

13/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mateus 28,8-15

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 8As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: 13“Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia.

Salmo 1 – Os dois caminhos do homem

Felizes aqueles que, pondo toda a sua esperança na Cruz, desceram até a água do batismo.

Antífona: Aleluia, removida foi a pedra da entrada do sepulcro. Aleluia.

1Feliz é todo aquele que não anda,

conforme os conselhos dos perversos,

que não entra no caminho dos malvados,

nem junto aos zombadores vai sentar-se.

2mas encontra seu prazer na lei de Deus,

e a medita, dia e noite, sem cessar.

3Eis que ele é semelhante a uma árvore

que à beira da torrente está plantada;

ela sempre dá seus frutos a seu tempo,

e jamais as suas folhas vão murchar.

Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

4mas bem outra é a sorte dos perversos.

Ao contrário, são iguais à palha seca

espalhada e dispersada pelo vento.

5Por isso os ímpios não resistem no juízo

nem os perversos, na assembleia dos fiéis.

6Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,

mas a estrada dos malvados leva à morte.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Aleluia, removida foi a pedra da entrada do sepulcro. Aleluia.

Breve reflexão

Os soldados, diante da aparição do anjo do Senhor, tinham ficado apavorados e caíram no chão como mortos. Após a ordem do Ressuscitado, as mulheres partiram para a Galileia. É, nesse momento, que os soldados, visto que ninguém com eles se importou, não apenas se levantam, mas partem com um destino certo: ir à cidade e anunciar o ocorrido aos sumos sacerdotes. Esse fato é quase simultâneo e concomitante ao retorno das mulheres.

A reação das autoridades religiosas, juntamente com os anciãos, é tremenda. Ao invés de punir os soldados por não terem cumprido a ordem que receberam, pois não foram capazes de impedir o Cristo Ressuscitado sair do sepulcro, foram comprados para que se tornassem falsas testemunhas diante do povo, difamando os discípulos, a fim de criar a tradição do roubo do corpo de Jesus. Contudo, qualquer um perguntaria: se estavam dormindo, como puderam afirmar que o corpo foi roubado pelos discípulos? Ao lado disso, como é possível dar credito a soldados que foram dormir ao invés de montar a guarda devida? Que ironia! Ao lado desta, encontra-se algo ainda pior: o governador Pôncio Pilatos podia ser dissuadido a acreditar na mentira arquitetada pelas autoridades judaicas. Que escândalo!

Por dinheiro, Jesus foi traído por um discípulo e sentenciado de morte. Por dinheiro, Jesus Ressuscitado está passando por uma fraude. Subjaz a essas atitudes, corruptas e corruptoras, a mentalidade dos que pensam e ensinam que o dinheiro tudo resolve. Foi assim que esse boato se espalhou e o evangelista introduziu um dado cronológico: até o dia de hoje, isto é, o momento histórico em que a tradição oral se tornou escrita no hoje do evangelista.

Duas ordens dadas, duas ordens cumpridas. A primeira de Jesus Ressuscitado às mulheres. A segunda das autoridades religiosas aos soldados. Contudo, a distinção entre as duas fica clara, pois o justo não se senta com os zombadores e perversos. A mentira espalhada pelos soldados não conseguiu impedir que a verdade da vitória de Jesus sobre a morte fosse anunciada. Por isso, é como está dito no Salmo: tudo o que o justo faz vai prosperar. Eis os dois caminhos, o que leva à morte e o que leva à vida. Não temos dúvidas de qual se deve escolher, pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

Preces

Glorifiquemos a Cristo Jesus, constituído pelo Pai herdeiro de todos os povos; e rezemos:

  1. Salvai-nos, Senhor, pela vossa vitória!

Cristo, que pela vossa ressurreição, rompestes as portas do inferno, destruindo o pecado e a morte, dai-nos, hoje e sempre, a vitória sobre o mal e suas seduções. R.

Vós, que expulsastes a morte, dando-nos vida nova por vossa ressurreição, fazei-nos hoje caminhar na novidade dessa vida, recebida no Batismo e alimentada na Eucaristia. R.

Vós, que nos fizestes passar da escuridão do pecado para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus, concedei a vida eterna a todos os que encontrarmos neste dia. R.

Vós, que confundistes os soldados de vosso sepulcro e alegrastes as mulheres com a vossa ressurreição, enchei de alegria pascal todos aqueles que vos amam e servem. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, eu creio que estás vivo e que renovas a vida; eu creio que estás presente nos que não duvidam e creem, como as mulheres; eu creio que onde dois ou três se reúnem no teu nome, tu estás no meio deles; eu creio que escutas a minha oração; eu creio que as tuas palavras são espírito e vida; eu creio que a experiência da tua ressurreição muda a minha vida; eu creio que esta experiência acontece através do meu próximo, em particular dos mais necessitados; eu creio que não há ressurreição sem compaixão, perdão, fraternidade e solidariedade; eu creio que posso proclamar a vitória da ressurreição sobre cada situação de dor, de sofrimento e de morte. Eu creio que sem ti, nada posso fazer de bom. Amém.

Para a nossa vivência

A calúnia que os líderes religiosos conceberam, em sua malícia, e fizeram os soldados, corrompidos pelo dinheiro, divulgar, continua presente e viva no mundo de diversos modos. Quase dois milênios já se passaram, desde que Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos; muitos, porém, ainda não acreditam no ensinamento da igreja e preferem dar ouvidos aos boatos e às fábulas mirabolantes. Não podemos esquecer que o caminho da credibilidade do anúncio passa, necessariamente, pelo testemunho coerente dos que professam a fé no Senhor Ressuscitado. Neste dia, consagremos nossas palavras e ações à verdade dita com caridade e à caridade praticada na verdade.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

 

10/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A vós, irmãos e irmãs, paz e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 19,23-30

Glória a vós, Senhor!

23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto abaixo. 24Disseram então entre si: “Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura que diz: “Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica”. Assim procederam os soldados. 25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. 27Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. 28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Salmo 30,2.6.12-13.15-17.25 (31)

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23,46)

Antífona: A vós, ó meu Senhor, eu me confio.

2Senhor, eu ponho em vós minha esperança;

que eu não fique envergonhado eternamente!

6Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,

porque vós me salvareis, ó Deus fiel.

12Tornei-me o opróbrio do inimigo,

o desprezo e zombaria dos vizinhos,

e objeto de pavor para os amigos;

fogem de mim os que me veem pela rua.

13Os corações me esqueceram como um morto,

e tornei-me como um vaso espedaçado.

15A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,

e afirmo que só vós sois o meu Deus!

16Eu entrego em vossas mãos o meu destino;

libertai-me do inimigo e do opressor!

17Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,

e salvai-me pela vossa compaixão!

25Fortalecei os corações, tende coragem,

todos vós que ao Senhor vos confiais!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: A vós, ó meu Senhor, eu me confio.

Breve reflexão

A narrativa da paixão de Jesus Cristo não é apenas um dado histórico, mas é, sobretudo, um anúncio de fé, pela qual a Igreja atesta que Deus morreu por nós e realizou a nossa salvação. É um convite a acompanharmos Jesus Cristo desde o término da Última Ceia até a deposição do seu corpo em um túmulo novo, escavado na rocha, e ficar à espera da sua ressurreição. É a meditação que fazemos, também, através da Via-Sacra.

Do momento em que foi preso no Jardim das Oliveiras, Jesus Cristo aceitou perder a sua liberdade física, para demonstrar, em cada momento e situação, que se sucediam, que ele era totalmente livre para realizar a vontade de Deus. Na cruz de Jesus Cristo, punição comum aplicada pelos romanos e algo abominável para os judeus (Dt 21,22-23), não está o ser humano a criar uma religião para satisfazer a sua própria vontade, mas encontra-se o Filho de Deus que recria todas as coisas e liberta o ser humano da escravidão do pecado e da morte. No escândalo da cruz está a marca do amor incomensurável de Deus pela humanidade.

Do alto da cruz, Jesus Cristo não se importou com o que fizeram com as suas vestes, mas teve os seus olhos voltados para a Mulher Adolorada e para o seu discípulo amado. Em meio à sua agonia, ele encontrou forças para manifestar ternura e para demonstrar o que o coração humano é capaz de fazer: entregar a própria mãe amada aos cuidados do discípulo amado e, depois, declarar para este que ela é sua mãe. Com esse gesto, a confiança, com a qual Maria havia se dirigido a Jesus Cristo nas bodas de Caná, fazendo com que, antes da hora, desse início ao seu ministério, alcançou uma grande retribuição na sua hora, mostrando que o amor se paga com amor. Do discípulo se diz: a acolheu consigo, significando que ela se deixou acolher. Maria não precisou responder. Seu sim à maternidade espiritual da Igreja era latente.

Jesus Cristo, do alto da cruz, ao dizer: tenho sede, mais uma vez revelou a sua necessidade, mas não se dirigiu a quem, ao invés de água, lhe deu vinagre, e sim a Deus: minha alma tem sede de ti (Sl 63,1), para que as suas testemunhas, isto é, o seu pequeno rebanho de fiéis formado por algumas mulheres e pelo discípulo amado, continuasse atento para perceber que, do seu lado aberto, faria jorrar sangue e água, respectivamente os sinais de Caná da Galileia e do encontro com a mulher samaritana. Assim, esses não testemunharam somente a sua morte, mas também constataram, na última palavra que disse: tudo está consumado, que ele havia cumprido plenamente a vontade de Deus. Em outras palavras, Jesus Cristo não foi entregue à morte, mas entregou-se a si mesmo à morte por amor. Livremente veio de Deus para fazer a sua vontade e livremente a Ele retornou com a total obediência a essa vontade. Tornou-se o Novo Adão da humanidade renovada no seu precioso sangue versado na cruz.

Preces

Conscientes da salvação que Jesus Cristo nos mereceu, peçamos com fé pela humanidade.

  1. Ouvi-nos, Senhor, e atendei-nos por vossa misericórdia.

Senhor, concedei a paz e a unidade à vossa Igreja e que ela pemaneça unida no amor. R.

Senhor, conservai o Santo Padre, sinal de unidade, são e salvo à frente da vossa Igreja. R.

Senhor, volvei o vosso olhar para todos os ministros ordenados para que sejam fiéis. R.

Senhor, agregai novos filhos e filhas à vossa Igreja pela vossa infinita misericórdia. R.

Senhor, conservai na unidade a vossa Igreja e que viva na verdade que liberta. R.

Senhor, fazei crescer na fidelidade o povo judeu, herdeiro das promessas e da aliança. R.

Senhor, iluminai os que não creem em vós para que adiram à verdade. R.

Senhor, concedei aos incrédulos a retidão de consciência e a promoção do bem. R.

Senhor, olhai com bondade para os que nos governam, que busquem o bem-comum. R.

Senhor, consolai os aflitos e socorrei com vosso amor os que clamam por justiça. R.

Senhor, livrai-nos da pandemia que assola o mundo, ceifa vidas e aumenta a pobreza. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Deus eterno, todo-poderoso e misericordioso: Que a vossa Igreja permaneça firme na fé. Que o Santo Padre a governe com sabedoria e piedade. Que os ministros ordenados vos sirvam com fidelidade. Que a fé e o entendimento da Igreja cresçam com os que receberam os Sacramentos da Iniciação Cristã. Que os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só batismo. Que o povo da primitiva aliança mereça alcançar a plenitude da vossa redenção. Que os que não creem no Cristo caminhem sob o vosso olhar com sinceridade de coração. Que os incrédulos descubram que sois o Deus único e verdadeiro. Que os líderes mundiais, por vossa graça, promovam a justiça e o bem-estar social. Que as preces dos aflitos e sofredores alcancem o socorro da vossa misericórdia. Que a pandemia termine e o mundo volte à paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Para a nossa vivência

Diante da cruz do Senhor Jesus encontramos o amor de Deus que cuida e cura a humanidade. No lenho morto pendeu o fruto da vida que se sacrificou por nós e por nossa salvação, livrando-nos do pecado e da morte. Esta obra de misericórdia divina, que nos alcança no aqui e agora da nossa existência, nos fortalece diante das dificuldades e das adversidades que estamos enfrentando durante essa pandemia. Que possamos contemplar o Senhor crucificado e reconhecer que a vitória da vida sobre a morte aconteceu na prova de amor que nos deu.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

09/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A vós, irmãos e irmãs, paz e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Se eu não te lavar, não terás parte comigo.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 13,1-15

Glória a vós, Senhor!

1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. 8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. 12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Se eu não te lavar, não terás parte comigo.

Salmo Sl 115,12-13.15-18 (116,3-9)

Por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor (Hb 13,5)

Antífona: O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

12Que poderei retribuir ao Senhor Deus

por tudo aquilo que ele fez em meu favor?

13Elevo o cálice da minha salvação,

invocando o nome santo do Senhor.

15É sentida por demais pelo Senhor

a morte de seus santos, seus amigos.

16Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,

mas me quebrastes os grilhões da escravidão

17Por isso oferto um sacrifício de louvor,

invocando o nome santo do Senhor.

18Vou cumprir minhas promessas ao Senhor

na presença de seu povo reunido.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

Breve reflexão

A cena do lava-pés não é simplesmente comovente, é também desconcertante, razão pela qual Pedro se opôs veementemente, pois não se tocava nos pés de um judeu. Jesus Cristo, contudo, realizou, através desse gesto, o sinal que revela o sentido iminente do seu Mistério Pascal e indicou o caminho que os seus discípulos devem percorrer na Igreja e no mundo.

Não se tratou, apenas, de uma prova de humildade de Jesus Cristo, mas foi um verdadeiro abaixamento de Deus ao ínfimo da condição humana. É o sentido da kenosis da encarnação do Verbo Divino, pela qual se compreende o sentido e o valor do batismo, pelo qual somos lavados de nossos pecados; da instituição da Eucaristia pela qual cada batizado entra e se encontra em íntima comunhão com o Senhor; e da instituição do sacerdócio pelo qual as ações do Senhor continuam vivas e testemunhando o sentido da afirmação: não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos (Mt 20,28). É a diaconia de Jesus Cristo como prova da sua obediência ao Pai, em favor da redenção do gênero humano.

Graças ao gesto inusitado de Jesus Cristo, uma pergunta foi feita e uma resposta foi dada em forma de ensinamento a ser compreendido mais tarde. O gesto é inusitado porque os pés deveriam ser lavados antes de se adentrar em uma casa, deixando as impurezas do lado de fora. Já, durante a refeição, ocorria a purificação das mãos, ação que cabia a um servo ou ao filho mais novo. Quem imaginaria que o Mestre e Senhor assumiria a posição de servo?

Visto que chegou a hora de passar deste mundo para o Pai, o amor é urgente e Jesus Cristo não tem tempo a perder: tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim, e isso inclui o traidor Judas Iscariotes e Pedro que o negaria. Na verdade, por esse contexto, Judas e Pedro foram os que mais precisaram do amor ágape de Jesus, pelo qual enfrentou a traição, a negação, o abandono dos discípulos e a aparente derrota na cruz.

Assim, os contrastes da traição de Judas e da negação de Pedro foram superados pelo amor que Jesus assumiu e testemunhou até as últimas consequências. Aqui se compreende o gesto do lava-pés como antecipação da glória que resulta da paixão e morte na cruz, quando os discípulos serão banhados pelo sangue de Jesus que escorreu de seus pés. Então, toda a cena e seus gestos estão em função da vontade de Jesus: Se eu não te lavar, não terás parte comigo. A herança não tem mais a ver com terra prometida, mas com à vida de comunhão com Deus. Esta comunhão é a lógica do amor que se concretiza através do serviço e da doação, porque ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).

Preces

A medida do amor de Deus, revelado em Jesus Cristo, transbordou na Última Ceia com a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, com gratidão supliquemos.

R: Onde existe o amor e a caridade, Deus ai está!

Oremos pela Igreja, pelo papa, pelos bispos e pelos padres, para que, instruídos na verdade espalhem o amor de Jesus Cristo por um testemunho fiel e coerente. R.

Oremos pelas nossas comunidades paroquiais e de vida consagrada, para que, pelo mandamento do amor, vivamos como verdadeiros irmãos e irmãs. R.

Oremos pelos doentes e pelos agentes de saúde, para que encontrem conforto na fé que brota do amor de Deus revelado na cruz do Senhor Jesus. R.

Oremos pelos que nos governam, para que cumpram com justiça e responsabilidade os encargos que receberam, visando o bem-comum e a promoção da dignidade humana. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor Jesus, a exemplo dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos e, em particular, de vossa Mãe Santíssima, esperamos em vós e em vossas promessas contra toda as formas de violência e opressão. Diante das tribulações, tentações e dificuldades, de cada dia, lembramos do que dissestes: No mundo tereis tribulações, mas tende coragem, eu venci o mundo (Jo 16,33). Esperar em vós não decepciona, mas alimenta o nosso desejo de paz e de felicidade. Por isso, colocamos a nossa confiança em vós e não em nossas forças, certos de que não nos faltará, em meio às situações de violência, a graça do Espírito Santo para que Deus Pai seja glorificado em tudo o que nos acontecer. Que a virtude da esperança nos preserve do egoísmo e nos conduza à verdadeira felicidade que reside na caridade incondicional. Amém.

Para a nossa vivência

O gesto do lava-pés, além de nos provocar, experimenta se o conhecimento, que dizemos ter de Jesus Cristo, tem se concretizado através do amor doação e serviço aos mais necessitados. Se o exemplo de Jesus Cristo, dado no contexto da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, foi uma lição para os discípulos, o seu aprendizado continua acontecendo em cada época e lugar, em particular quando nos deparamos com momentos de dor, de sofrimento, de cruz e de morte. O Tríduo Pascal é um convite a seguir Jesus Cristo com a firme convicção de que esses momentos não tiveram, não têm e nunca terão a última palavra, pois o amor de Deus triunfou sobre eles e os transformou em ocasião de vida.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

08/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco. – Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: O meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mt 26,14-25

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” 23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: O meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa.

 

Salmo 118(119),57-64 [VIII (Heth)] – Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei

Sois uma carta de Cristo, gravada não em tábuas de pedra, mas em vossos corações (2Cor 3,3).

Antífona: Jesus, sabendo que chegara a sua hora, amou os seus, aqui no mundo, até o fim.

57 É esta a parte que escolhi por minha herança: *
observar vossas palavras, ó Senhor!
58 De todo o coração eu vos suplico: *
piedade para mim, que o prometestes!

59 Fico pensando, ó Senhor, nos meus caminhos; *
escolhi por vossa lei guiar meus passos.
60 Eu me apresso, sem perder um só instante, *
em praticar todos os vossos mandamentos.

61 Mesmo que os ímpios me amarrem com seus laços, *
nem assim hei de esquecer a vossa lei.
62 Alta noite eu me levanto e vos dou graças *
pelas vossas decisões leais e justas.

63 Sou amigo dos fiéis que vos respeitam *
e daqueles que observam vossas leis.
64 Transborda em toda a terra o vosso amor; *
ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Jesus, sabendo que chegara a sua hora, amou os seus, aqui no mundo, até o fim.

Breve reflexão

Mt 26,14-25 tem três momentos distintos, mas interligados: a) A traição de Judas (vv. 14-16); b) Os preparativos para a ceia pascal (vv. 17-19); c) Jesus que revela a traição (vv. 20-25).

No primeiro momento, descobre-se que Judas concebeu a traição como uma ocasião de lucro: Que me dareis se vos entregar Jesus? Note-se que a quantia oferecida, trinta moedas de prata, representa dez por cento do valor do nardo derramado sobre os pés de Jesus (Mc 14,5; Jo 12,5). O verbo entregar é importante, pois indica tanto o ato de entregar como o de transmitir algo a alguém. Evangelizar, então, é entregar Jesus às pessoas, para que sejam salvas por ele. Judas, ao contrário, entregou-transmitiu, com um fim egoísta e equivocado.

No segundo momento, os discípulos são proativos e tomam a iniciativa sobre a ceia pascal. A decisão, porém, quanto ao lugar coube a Jesus que se entregará nas mãos dos seus discípulos. Verifica-se o contraste entre o tempo identificado: primeiro dia da festa dos Ázimos e o lugar não identificado: Ide à Cidade, à casa de alguém. Jesus não só responde aos discípulos, mas envia uma mensagem ao dono da casa: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos. A ordem de Jesus é clara e o seu cumprimento eficaz: fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. Esta casa se tornou a igreja de Jerusalém. E, neste momento, a nossa casa é a Igreja doméstica, onde Jesus quer celebrar a sua Páscoa.

No terceiro momento, o protagonismo de Jesus é marcante. Por certo, essa refeição foi uma ocasião esperada e preparada. Nela se fazia memória da libertação do Egito, mas o anúncio da traição criou um clima triste. A ceia, de anúncio de libertação, tornou-se anúncio profético da prisão e do sofrimento de Jesus. Diante da notícia da traição, duas perguntas foram feitas. A primeira pergunta veio dos lábios de cada discípulo. A resposta foi um sinal dado por Jesus sem indicação direta. A segunda veio de Judas: Mestre, serei eu? e teve uma confirmação direta de Jesus: Tu o dizes. Por detrás da revelação da traição está a aceitação dos planos de Deus por parte de Jesus que, porém, dispõe dessa Páscoa para, na instituição da Eucaristia, celebrar, antecipadamente, a vitória sobre a sua paixão e morte na cruz.

Preces

Adoremos a Jesus Cristo que, nas vésperas de sua Paixão, ao ver Jerusalém, chorou sobre ela por desprezar a graça oferecida. Arrependidos dos nossos pecados, peçamos:

  1. Senhor, tende compaixão do vosso povo sofrido!

Vós, que quisestes reunir os filhos de Jerusalém, como a galinha reúne os pintinhos debaixo de suas asas, ensinai-nos a reconhecer e a acolher o tempo de vossa visitação. R.

Não abandoneis os fiéis que de vós se afastaram, mas convertei-os para que se voltem para vós arrependidos de seus pecados e glorifiquem a Deus nosso Pai. R.

Vós, que pela vossa Paixão e Morte de Cruz reconciliastes o mundo com Deus e os seres humanos entre si, dai-nos viver sempre do Espírito que recebemos no batismo. R.

Concedei-nos a graça de imitar a vossa Paixão, renunciando ao pecado com todas as nossas forças, para que, livres de todo mal, possamos celebrar santamente a vossa ressurreição. R.

Vós, que viveis e reinais na glória do Pai, acolhei os que hoje partiram deste mundo. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, dá-me um coração semelhante ao Teu. Dá-me um coração manso e humilde, para me compadecer e perdoar os que ignoram e erram. Dá-me um coração aberto para conter o mundo. Dá-me um coração grande para amar como Tu mesmo amas a cada um. Dá-me um coração forte para lutar contra todas as formas de egoísmo e vaidade que tentam me dominar. Dá-me um coração generoso para dar sem reservas tudo aquilo que sou capaz. Dá-me um coração puro para Te amar nos irmãos e irmãs. Senhor, põe no meu coração o Teu coração. Assim, poderás contar comigo. Já não serei eu que vivo, mas Tu que vives em mim. Amém.

Para a nossa vivência

A traição de Judas não é o elemento mais importante da narrativa, mas está em função do que, nela, é central: a obediência incondicional de Jesus à vontade de Deus Pai. Este ano, somos chamados a viver a Semana Santa de uma forma diferente da que estamos habituados, mas, nem por isso, ela deixará de ser a ocasião propícia para experimentarmos o amor de Deus. Comecemos por reconhecer a presença do Senhor nos mais necessitados, de modo que o amor e a solidariedade revelados na sua Paixão, Morte e Ressurreição nos recoloque no caminho do bem, da justiça e da verdade que nos liberta da indiferença e do egoísmo.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

07/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco. – Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 13,21-33.36-38

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. 28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”. 36Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”. 37Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará.

Salmo 42(43) – Saudades do templo

Eu vim ao mundo como luz (Jo 12,46).

Antífona: Fazei justiça, meu Deus, e defendei-me! Do perverso e mentiroso libertai-me!

1 Fazei justiça, meu Deus, e defendei-me *
contra a gente impiedosa;
do homem perverso e mentiroso *
libertai-me, ó Senhor!

2 Sois vós o meu Deus e meu refúgio: *
por que me afastais?
Por que ando tão triste e abatido *
pela opressão do inimigo?

3 Enviai vossa luz, vossa verdade: *
elas serão o meu guia;
que me levem ao vosso Monte santo, *
até a vossa morada!

4 Então irei aos altares do Senhor, *
Deus da minha alegria.
Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, *
meu Senhor e meu Deus!

5 Por que te entristeces, ó minh’alma, *
a gemer no meu peito?
Espera em Deus! Louvarei novamente *
o meu Deus Salvador!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Fazei justiça, meu Deus, e defendei-me! Do perverso e mentiroso libertai-me!

Breve reflexão

O lava-pés e a última ceia contextualizam o anúncio da traição de Judas e da negação de Pedro. É um momento de grande intimidade, mas também de duras revelações. O grupo se abala, a desconfiança surge e os olhares se entrecruzam. Com que grande pesar essa revelação saiu dos lábios de Jesus. Apesar disso, o texto revela que havia um discípulo amado, sem que o nome fosse dito. Uma técnica literária em voga para que o ouvinte-leitor pudesse verificar as suas intenções e descobrir se poderia ocupar esse lugar. Para este, Jesus respondeu através de uma atitude reveladora: É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho.

Judas Iscariotes foi identificado por Jesus pelo pedaço de pão. Não se pode dizer que foi o pão eucaristizado. Provavelmente, não. Em uma relação de causa e efeito, o texto revela dois particulares. No primeiro, Jesus lhe entrega o pão e Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. No segundo, Jesus lhe diz: O que tens a fazer, executa-o depressa, e segue-se uma nova ação de Judas: Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Há ainda um detalhe importante: Era noite, sinal de que fora de Jesus e da comunidade não há luz.

Jesus protagoniza tudo. Sem o seu consentimento, Satanás não poderia ter entrado em Judas e não o teria movido ao ato da traição. De certa forma, declara-se que por detrás de Judas estava agindo o inimigo de Deus e do ser humano. Contudo, é um inimigo submetido a Jesus. Somente depois que Judas saiu, Jesus começou a se despedir dos discípulos, chamando-os de filhinhos. Na sequência, os vv. 34-35, que não foram lidos, contém o mandamento do amor como critério de reconhecimento do discipulado. É duro saber, mas Judas ficou de fora. Se Jesus, porém, permitiu que Judas se tornasse um instrumento da traição, sem a qual nada teria acontecido, a ele cabe o fim da história sobre Judas, pois não foi apenas instrumento da morte de Jesus, foi também um participante na aniquilação e vitória sobre Satanás.

Se entramos na cena, percebemos a dramaticidade de cada gesto e de cada palavra. A fala de despedida provocou Pedro a se declarar a favor de Jesus, mas foi a ocasião para Jesus alertar Pedro sobre as suas limitações de amor. Ele ainda não estava preparado para cumprir a originalidade do mandamento novo do amor, pois era preciso que se cumprisse na cruz.

Preces

Imploremos a Cristo Salvador, que nos redimiu por sua morte e ressurreição; e digamos:

  1. Senhor, tende piedade de nós!

Senhor Jesus, que subistes a Jerusalém para, voluntariamente, sofrer a Paixão, e assim entrar na glória do Pai celeste, conduzi vossa Igreja, pela obediência, à Páscoa da eternidade. R.

Senhor Jesus, além das vossas chagas abertas pela flagelação e pelos cravos na cruz, uma lança vos traspassou o lado, curai as nossas feridas no corpo e na alma. R.

Senhor Jesus, que transformastes o madeiro da cruz em árvore da vida e do conhecimento do vosso infinito amor, concedei de seus frutos aos que renasceram pelo batismo. R.

Senhor Jesus, que, pregado na cruz, perdoastes o ladrão arrependido, perdoai-nos também a nós pecadores e ensinai-nos a pedir perdão e a oferecer o perdão a quem nos ofendeu. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, dá-me um coração semelhante ao Teu. Dá-me um coração manso e humilde, para me compadecer e perdoar os que ignoram e erram. Dá-me um coração aberto para conter o mundo. Dá-me um coração grande para amar como Tu mesmo amas. Dá-me um coração forte para lutar contra todas as formas de egoísmo e vaidade que tentam me dominar. Dá-me um coração generoso para dar sem reservas tudo aquilo que sou capaz. Dá-me um coração puro para Te amar nos irmãos e irmãs. Senhor, põe no meu coração o Teu coração. Assim, poderás contar comigo. Já não serei eu que vivo, mas Tu que vives em mim. Amém.

Para a nossa vivência

Ao invés de julgar Judas e Pedro por suas atitudes de ingratidão, é preciso perceber que elas também se encontram em nós. A traição e a negação ocorreram porque o ser humano, além de resistir a Deus e ao seu amor, prefere ver o mundo e as pessoas pelas aparências. Só Deus vê o nosso íntimo e sabe o que se passa em nossa mente e coração. Sem notar, também nós já julgamos Deus e até o colocamos no banco dos réus. Nestes tempos difíceis e de incertezas, muitos já se perguntaram: Deus, onde estás? Mais do que solucionar nossos problemas, Deus nos inspira e nos indica o caminho a seguir, que é capaz de renovar e determinar, no mundo, um novo comportamento: Como eu vos amei, amai-vos também vós uns aos outros.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

06/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 12,1-11

Glória a vós, Senhor!

1Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.  4Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: 5“Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” 6Judas falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia da minha sepultura. 8Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”. 9Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. 10Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo.

Salmo 30(31),2-9 – Súplica confiante do aflito

Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito (Lc 23,46).

Antífona: Inclinai o vosso ouvido para mim, apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!

2 Senhor, eu ponho em vós minha esperança; *
que eu não fique envergonhado eternamente!
Porque sois justo, defendei-me e libertai-me, †
3 inclinai o vosso ouvido para mim; *
apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!

Sede uma rocha protetora para mim, *
um abrigo bem seguro que me salve!
4 Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; *
por vossa honra orientai-me e conduzi-me!
5 Retirai-me desta rede traiçoeira, *
porque sois o meu refúgio protetor!

6 Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, *
porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
7 Detestais os que adoram deuses falsos; *
quanto a mim, é ao Senhor que me confio.

8 Vosso amor me faz saltar de alegria, †
pois olhastes para as minhas aflições *
e conhecestes as angústias de minh’alma.
9 Não me entregastes entre as mãos do inimigo, *
mas colocastes os meus pés em lugar amplo!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Inclinai o vosso ouvido para mim, apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!

Breve reflexão

A unção de Jesus em Betânia é uma cena comovente e rica por diversos fatores. Um jantar foi oferecido a Jesus. O motivo é óbvio: comemorar a ressurreição de Lázaro como testemunho do poder de Deus revelado no amor de Jesus. Contudo, pode-se pensar, em nível eclesial, que esse jantar seja indicador da eucaristia, celebração do mistério da morte e ressurreição do Senhor, pela qual o fiel, se reconhece em Lázaro, e faz a mesma experiência salvífica.

Nesse jantar, cada personagem tem o seu papel: Lázaro é um dos comensais e está à mesa com Jesus e os demais discípulos. Marta, como sempre, se coloca ao serviço de todos e Maria, mais uma vez, se pôs aos pés de Jesus. Desta vez, porém, para realizar uma ação inesperada: ungir os pés do Senhor com nardo puro, um perfume valiosíssimo, pois trezentas moedas de prata equivaliam a trezentos dias de salário. O benefício feito pelo Senhor foi reconhecido pela postura generosa do discipulado que, em contrapartida, buscou beneficiar a todos que com eles estavam, pois a casa inteira ficou repleta do perfume do bálsamo.

Contudo, essa generosidade esbarrou na hipocrisia enraizada em Judas Iscariotes. Os vv. 4-6, segundo o autor do Quarto Evangelho, servem para fundamentar as futuras ações de Judas. Se, por um lado, parece interessante a preocupação calculada de Judas, por outro lado, a sua falsa pretensão é deflagrada com uma dura revelação: não havia, nele, preocupação com os pobres, pois era ladrão e roubava da bolsa comum. Isto causa surpresa, pois Jesus, certamente sábia, mas nunca tomou uma atitude em relação a Judas e às suas ações indevidas. Deixou o joio crescer junto com o trigo. O fato de Judas estar com a bolsa comum será lembrado no contexto da última ceia (Jo 13,29), mostrando, pela fala de Jesus: Faze depressa o que estás querendo fazer, que ele sabia das reais intenções de Judas Iscariotes.

Jesus, ao se pronunciar, veio em defesa de Maria e do seu gesto, mas também saiu em defesa dos pobres: Deixa-a; ela fez isto em vista do dia da minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis. Com isso, Jesus ensina que a caridade não pode ser adiada e deve ser feita. E mais, a caridade tem que ser generosa, sem reservas e sem medo de críticas. O uso do nardo puro e o uso dos próprios cabelos, para enxugar os pés de Jesus, mostram que o gesto externo e o gesto interno são os componentes da caridade.

No final, mostra-se que o episódio ultrapassou os limites da casa-igreja. Por um lado, atraiu a multidão não só por causa de Jesus, mas para ver Lázaro ressuscitado. Por outro lado, nota-se que a bondade de Jesus evidenciou a maldade dos chefes dos sacerdotes que decidiram matar também a Lázaro, pois por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

Preces

Adoremos Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, que morrendo destruiu a morte e ressuscitando renovou a vida; e peçamos com humildade:

  1. Santificai, Senhor, o povo que remistes com vosso sangue!

Jesus, nosso Redentor, concedei que, pela penitência vivenciada nesses dias, nos associemos cada vez mais plenamente à vossa Paixão, a fim de alcançarmos a glória da ressurreição. R.

Acolhei-nos sob a proteção de Maria, vossa Mãe, consoladora dos aflitos, para podermos confortar os tristes e os marginalizados com o mesmo auxílio que de vós recebemos. R.

Concedei aos vossos fiéis a graça de tomar parte na vossa Paixão por meio dos sofrimentos e adversidades da vida, para que também neles se manifeste a vossa salvação. R.

Senhor Jesus, que vos humilhastes na obediência até à morte e morte de cruz, ensinai-nos a ser obedientes e a sofrer com paciência, e que saiamos fortalecidos desta provação. R.

Tornai os corpos de nossos irmãos e irmãs falecidos semelhantes à imagem do vosso corpo glorioso, e fazei-nos dignos de participar um dia, com eles, da vossa glória. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Ó meus Jesus, creio que estás presente e vivo na Santíssima Eucaristia; vos amo sobre todas as coisas. Já que agora, nesse tempo de reclusão, não posso recebê-lo de forma sacramental, humildemente vos peço: vinde ao menos espiritualmente ao meu coração. Vos acolho com a mesma pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa santíssima Mãe, bem como com o mesmo espírito e fervor que animavam os vossos santos e santas. Certo da vossa divina presença, vos louvo e vos adoro em meu frágil ser. Unido a vós, peço-vos por todas as pessoas que se arriscam e se colocam a serviço da humanidade durante essa pandemia, em particular cuidando dos doentes. Senhor, manifestai-nos a vossa infinita misericórdia e, pelos méritos de vossa doação na cruz, livrai-nos de todos os males do corpo e da alma. Amém.

Para a nossa vivência

A unção de Jesus em Betânia por Maria, irmã de Marta e de Lázaro, foi um gesto concreto capaz de revelar o amor a Deus e ao próximo. A lição não podia ser mais clara: a caridade é a melhor forma de gratidão a Deus pelos seus benefícios. Por isso, nesse tempo de reclusão social, o nosso olhar precisa ser ampliado para além de nossas casas, de modo que o perfume da unção batismal, que recebemos em Jesus Cristo, seja exalado pela caridade a favor dos irmãos mais necessitados, a fim de que eles não sejam vítimas de outro vírus: a indiferença. Que a oração, acompanhada de fraternidade e solidariedade, sinalize que Jesus Cristo está vivo e age através dos que se dizem cristãos, revelando que a caridade é a nossa Páscoa.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

04/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

 

Antífona: Que faremos? Este homem realiza muitos sinais.

 

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 11,45-56

Glória a vós, Senhor!

 

Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”. 49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”

 

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

 

Antífona: Que faremos? Este homem realiza muitos sinais.

 

Salmo 118(119),145-152 XIX (Coph) – Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei

Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei (Jo 15,12).

 

Antífona: A vós dirijo os meus olhos já bem antes da aurora.

 

145 Clamo de todo o coração: Senhor, ouvi-me! *
Quero cumprir vossa vontade fielmente!
146 Clamo a vós: Senhor, salvai-me, eu vos suplico, *
e então eu guardarei vossa Aliança!

 

147 Chego antes que a aurora e vos imploro, *
e espero confiante em vossa lei.
148 Os meus olhos antecipam as vigílias, *
para de noite meditar vossa palavra.

 

149 Por vosso amor ouvi atento a minha voz *
e dai-me a vida, como é vossa decisão!
150 Meus opressores se aproximam com maldade; *
como estão longe, ó Senhor, de vossa lei!

 

151 Vós estais perto, ó Senhor, perto de mim; *
todos os vossos mandamentos são verdade!
152 Desde criança aprendi vossa Aliança *
que firmastes para sempre, eternamente.

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Antífona: A vós dirijo os meus olhos já bem antes da aurora.

 

Breve reflexão

 

A ressurreição de Lázaro é o contexto próximo que levou alguns à fé e outros à aversão. As lideranças do povo, sumos sacerdotes e fariseus, fazem parte do segundo grupo e, por isso, se reuniram para debater a questão e decidir o que fazer, pois estão perplexos com as notícias que chegam a respeito de Jesus, em particular sobre o sinal realizado. O ponto de partida dos informantes é a casa de Maria. Chama a atenção a falta de referência a Marta e a Lázaro. A preocupação é dupla e está numa relação de causa e efeito: Jesus realiza sinais (causa) e provoca a fé nele (efeito). Isto, por sua vez, implica na perda do poder religioso representado pelo Templo de Jerusalém: virão os romanos (causa) e destruirão o nosso lugar Santo e a nossa nação (efeito). De fato, tal destruição aconteceu no ano 70 d.C.

 

A resolução veio através de Caifás, em razão de seu ofício como sumo sacerdote naquele ano, mas foi interpretada como uma profecia a ser aplicada à nação e a todos os filhos de Deus dispersos. Que ironia! Segundo o Quarto Evangelho, a sentença de morte para Jesus é fruto de uma profecia e não do poder dominador. É um dado interessante, porque ninguém informou Jesus, mas ele, porque é o Profeta por excelência, veio a saber da decisão: Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Esta atitude de Jesus é um resgate do passado e visou evitar que a sua morte fosse antecipada, isto é, comprometesse a sua hora (Jo 13,1). Dado confirmado pela notícia: A Páscoa dos judeus estava próxima.

 

Tal atitude de Jesus representa que ele tem o total domínio sobre a situação e confirma o que dissera a Marta, irmã de Lázaro: Eu sou a ressurreição e a vida, pois ele é o bom pastor que dá a sua vida para depois retomá-la. Por isso disse: sobre a sua vida Ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente. Tenho poder de entregá-la e poder de retomá-la (Jo 10,18).

 

Preces

 

Glorifiquemos a Cristo Senhor que instituiu o Batismo para fazer de nós criaturas novas e nos preparou na Eucaristia a mesa de sua Palavra e de seu Corpo; rezemos confiantes:

 

  1. Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça!

 

Jesus, manso e humilde de coração, revesti-nos de sentimentos de misericórdia, mansidão e humildade, e tornai-nos pacientes e compreensivos para com todos. R.

 

Ensinai-nos a ajudar os pobres e sofredores, e assim vos imitarmos, ó Bom Samaritano da humanidade que, neste momento, padece com essa pandemia. R.

 

Que a vossa Santa Mãe, a Virgem Maria, interceda por todos os que se consagraram ao vosso serviço, para que se dediquem cada vez melhor ao bem da Igreja. R.

 

Concedei-nos a vossa misericórdia, e fazei-nos experimentar a alegria do vosso perdão. R.

 

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

 

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

 

Oremos

 

Ó Deus, que mandaste que teus anjos nos guardem em todos os nossos caminhos, conduz-nos, hoje, pelas tuas sendas sem ofender-te. Tu que nos destes a Virgem Maria por Mãe, faz com que, de palavra e de obra, vivamos como verdadeiros filhos d’Ela, aprendendo a viver o Evangelho, exercitando a caridade com humildade e simplicidade de coração. Pela intercessão de Maria, Mãe de teu Filho e nossa Mãe, cujo coração ardeu vivamente em teu amor e foi traspassado de dor na paixão de teu Filho, concede-nos um verdadeiro arrependimento de nossos pecados e que sejamos testemunhas de caridade e pureza de vida. Derrama sobre nós, Senhor, a tua graça, para que, recordando o nosso batismo, sejamos fiéis, com tua ajuda, às promessas que inspirados por ti fizemos. Amém.

(adaptação da oração feita pelas irmãs Cordimarianas de Madre Maria Güell y Puig)

 

Para a nossa vivência

 

Professamos pela fé que o acaso não existe e que nada escapa ao conhecimento de Deus. É com esta certeza que devemos transcorrer esses dias em que nossa fé é provada, nossa esperança burilada e nossa caridade exigida que seja realizada com criatividade, a fim de que, cada um de nós saia fortalecido e convencido do amor de Deus. E este amor acontece, hoje, como aconteceu naquele tempo, passando através de lideranças, muitas das vezes déspotas, que só sabem decretar a morte do justo inocente. Apesar disso, Deus continua demonstrando que o poder opressor não foi, não é e nunca será mais forte que o seu amor que renova e salva o ser humano em Jesus Cristo, nossa Páscoa.

 

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

 

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

03/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

 

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

 

Antífona: Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas boas obras.

 

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

 

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 10,31-42

Glória a vós, Senhor!

 

Naquele tempo, 31os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. 32E ele lhes disse: “Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas obras boas. Por qual delas me quereis apedrejar?” 33Os judeus responderam: “Não queremos te apedrejar por causa das obras boas, mas por causa de blasfêmia, porque sendo apenas um homem, tu te fazes Deus!” 34Jesus disse: “Acaso não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses?’ 35Ora, ninguém pode anular a Escritura: se a Lei chama deuses as pessoas às quais se dirigiu a palavra de Deus, 36por que então me acusais de blasfêmia, quando eu digo que sou Filho de Deus, eu a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo? 37Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim. 38Mas, se eu as faço, mesmo que não queirais acreditar em mim, acreditai nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai”. 39Outra vez procuravam prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles. 40Jesus passou para o outro lado do Jordão, e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. 41Muitos foram ter com ele, e diziam: “João não realizou nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem, é verdade”. 42E muitos, ali, acreditaram nele.

 

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

 

Antífona: Por ordem do Pai, mostrei-vos muitas boas obras.

 

Salmo 34(35),1-2.3c.9-12 – O Senhor salva nas perseguições

Reuniram-se… e resolveram prender Jesus por um ardil para o matar (Mt 26,3.4).

 

Antífona: Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!

1 Acusai os que me acusam, ó Senhor, *

combatei os que combatem contra mim!

2 Empunhai o vosso escudo e armadura; †

levantai-vos, vinde logo em meu socorro *

3c e dizei-me: “Sou a tua salvação!”

 

9 Então minh’alma no Senhor se alegrará *

e exulta de alegria em seu auxílio.

10 Direi ao meu Senhor com todo o ser: *

“Senhor, quem pode a vós se assemelhar,

pois livrais o infeliz do prepotente *

e libertais o miserável do opressor?”

 

11 Surgiram testemunhas mentirosas, *

acusando-me de coisas que não sei.

12 Pagaram com o mal o bem que fiz, *

e a minh’alma está agora desolada!

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

 

Antífona: Levantai-vos, ó Senhor, vinde logo em meu socorro!

 

Breve reflexão

 

Jesus se encontra, novamente, em Jerusalém, na festa da Dedicação do Templo; instituída quando a cidade foi libertada da dominação helênica, graças à ação vitoriosa de Judas Macabeu sobre o déspota Antíoco IV Epífanes. Uma nova discussão aconteceu e o seu ponto de partida foi uma pergunta: Se és o Cristo, dize-nos abertamente? (Jo 10,24). Jesus respondeu, alegando ter intimidade com Deus Pai pelos ensinamentos e obras que ele tem realizado, mas também não foi compreendido. Uma revolta ocorreu quando Jesus afirmou: Eu e o Pai somos um (v. 30). Esse contexto é importante para a compreensão dessa discussão que quase levou Jesus, de novo, à morte por lapidação. Nota-se que Jesus parece estar em um tribunal, o local é o Templo, sendo julgado pelo que ele fala e faz.

 

A cada investida dos judeus, Jesus se defende da grave acusação: blasfêmia (v. 33.36). Em vão Jesus tenta mostrar que as suas obras estão em plena sintonia e em comunhão com as obras do Pai. Se os judeus não conseguiram perceber que ele era o Messias, muito menos iriam aceitar que a sua íntima unidade com o Pai estava no nível da filiação divina. Por isso, Jesus reconhece não só a intolerância, mas a total falta de fé. Chega a apelar para o critério decisivo: reconhecer, pelas obras, que o Pai está em mim e eu no Pai (v. 38).

 

A repulsa dos judeus por Jesus se converteu em apologia religiosa. Uma hostilidade que se tentou justificar pela necessidade de salvaguardar a ortodoxia da doutrina. Confirma-se o que está em Jo 1,11: Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Apesar disso, os vv. 40-42 afirmam que houve quem acreditou e também se confirma Jo 1,12: Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome. A alusão ao outro lado do Jordão reflete o local onde uma comunidade de fiéis se instalou, razão pela qual se diz: E permaneceu aliE muitos, ali, acreditaram nele.

 

Preces

 

Elevemos nossas súplicas ao Senhor Jesus Cristo, que nos santificou com o seu sangue derramado na cruz; e, repletos de fé, esperança e caridade, digamos:

 

  1. Senhor, tende compaixão do vosso povo!

 

Jesus, Redentor nosso, pelos méritos da vossa Paixão, dai aos vossos fiéis o espírito de penitência, sustentai-os no combate contra o mal e reavivai a sua esperança, para que se disponham para celebrar mais santamente a vossa Ressurreição. R.

 

Fazei que os cristãos, exercendo sua missão profética, anunciem por toda parte o Evangelho do Reino, e o confirmem com seu testemunho de fé, esperança e caridade. R.

 

Confortai, nesse tempo de quaresma e de provação, os aflitos e os enfermos com a força do vosso amor, e fazei que saibamos consolá-los com nossa solicitude fraterna. R.

 

Ensinai-nos, diante das adversidades, a levar a nossa cruz, de cada dia, em união com os vossos sofrimentos, para que manifestemos em nós mesmos a vossa salvação. R.

 

Autor da vida, lembrai-vos daqueles que partiram deste mundo, vítimas do COVID-19, e, em vossa infinita misericórdia, concedei-lhes a glória da ressurreição. R.

 

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

 

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

 

Oremos

 

Fazei, Senhor, de meu dia e da minha vida um hino de louvor ao vosso santo Nome. Purificai meu coração de todos os pensamentos egoístas ou humanos demais. Ponde a verdade no meu espírito e a caridade em meu coração, a fim de que eu cumpra meu dever com coragem, consciência e dedicação, e que eu possa, assim, oferecê-lo à vossa bondade como uma prece. Concedei-me, ó Cristo, o privilégio de permanecer unido intimamente a Vós durante o dia e que eu participe das intenções generosas com as quais rendestes glória ao Vosso Pai e salvastes a humanidade. Amém.

 

Para a nossa vivência

 

A rejeição a Jesus Cristo, nos nossos dias, continua visível e ocorre de diversos modos na rejeição à sua presença viva na Igreja. A verdade que liberta também pode conduzir à incompreensão e até ao martírio, exatamente como aconteceu com Jesus Cristo. Nem por isso, o testemunho, por palavras e ações, deixou ou deixará de ser apresentado. O que não for possível de se fazer de forma pública, como estamos habituados a realizar na Semana Santa, poderá ser feito através da resiliência frente a essa grande adversidade. Assim, combatendo o bom combate da fé, a exemplo do Salmo que rezamos, podemos nos confiar a Deus sem reservas e lhe oferecer um sacrifício agradável no altar do nosso coração, pois os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade. Estes são adoradores que o Pai procura (Jo 4,23).

 

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

 

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

 

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

02/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 8,51-59

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51“Em verdade, em verdade, eu vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. 52Disseram então os judeus: “Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte’. 53Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes ser?”54Jesus respondeu: “Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se”. 57Os judeus disseram-lhe então: “Nem sequer cinquenta anos tens, e viste Abraão!” 58Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou”. 59Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte.

Salmo 29(30) – Ação de graças pela libertação

Cristo, após sua gloriosa ressurreição, dá graças ao Pai (Cassiodoro).

Antífona: Senhor meu Deus, clamei por vós e me curastes! A vós louvor eternamente!

2 Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes, *
e não deixastes rir de mim meus inimigos!
3 Senhor, clamei por vós, pedindo ajuda, *
e vós, meu Deus, me devolvestes a saúde!
4 Vós tirastes minha alma dos abismos *
e me salvastes, quando estava já morrendo!

5 Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, *
dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
6 Pois sua ira dura apenas um momento, *
mas sua bondade permanece a vida inteira;
se à tarde vem o pranto visitar-nos, *
de manhã nos vem saudar a alegria.

7 Nos momentos mais felizes eu dizia: *
“Jamais hei de sofrer qualquer desgraça!”
8 Honra e poder me concedia a vossa graça, *
mas escondestes vossa face e perturbei-me.

9 Por vós, ó meu Senhor, agora eu clamo, *
e imploro a piedade do meu Deus:
10 Que vantagem haverá com minha morte, *
e que lucro, se eu descer à sepultura?

Por acaso, pode o pó agradecer-vos *
e anunciar vossa leal fidelidade?
11 Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! *
Sede, Senhor, o meu abrigo protetor!

12 Transformastes o meu pranto em uma festa, *
meus farrapos, em adornos de alegria,
13 para minh’alma vos louvar ao som da harpa †
e ao invés de se calar, agradecer-vos: *
Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Senhor meu Deus, clamei por vós e me curastes! A vós louvor eternamente!

Breve reflexão

Guardar a palavra de Jesus equivale a crer e remete a Jo 6,68: Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus. Por isso, Jesus afirma o efeito do ato de crer: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte. Não causa surpresa a reação irônica dos judeus, pois ninguém escapa da morte. Apesar do insulto: Agora sabemos que tens um demônio (que equivale a “estás louco”), Jesus não recua e reafirma o efeito do ato de crer em sua palavra.

A réplica dos judeus: Acaso és maior do que nosso pai Abraão, evoca a da mulher samaritana: Acaso és maior que nosso pai Jacó (Jo 4,11). A diferença é que o diálogo com essa mulher confluiu em muitas conversões, ao passo que o diálogo com os judeus terminará em sentença de morte: eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus (v. 59). Esta atitude justificará a preocupação dos discípulos por ocasião da morte de Lázaro: há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá (Jo 11,8). Deve-se perceber, nessa sentença de morte, o eco do fratricídio narrado em Gn 4,1-16.

Visto dessa maneira, percebe-se a intenção do evangelista: mostrar que os judeus não foram capazes de perceber a voz de Deus e sua íntima presença e ação em Jesus que afirma: Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. Nota-se, então, que Jesus pede que os judeus tenham, para com ele, a mesma atitude que ele tem para com Deus, pois é obediente à sua voz. Por isso, não procura glória para si, mas quer glorificar a Deus Pai.

Preces

Oremos a Jesus Cristo, nosso Senhor, que nos amou e deu-nos o mandamento novo de nos amarmos uns aos outros como ele nos amou; e imploremos com confiança:

  1. Senhor, fazei crescer o amor em vosso povo!

Bom Mestre, ensinai-nos a vos amar em nossos irmãos e irmãs, e a vos servir em cada um deles, particularmente nos mais sofridos, marginalizados e necessitados. R.

Vós, que na cruz pedistes ao Pai perdão para vossos algozes, ensinai-nos a amar os nossos inimigos e a orar pelos que nos perseguem. R.

Pela comunhão espiritual, aumentai em nós a caridade, a fortaleza e a confiança; fortalecei os fracos, consolai os tristes e dai esperança aos agonizantes. R.

Cristo, Luz do mundo, que devolveste a vista ao cego de nascença por sua obediência, iluminai os catecúmenos pelos Sacramentos da Iniciação Cristã e pela vossa palavra. R.

Concedei a plenitude do vosso amor a todos os que sofrem discriminação e aos que chamastes à vossa presença, e contai-nos também entre os vossos eleitos. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Ó Espirito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora; fechado a todas as ambições mesquinhas; alheio a qualquer desprezível competição humana; compenetrado no sentido da Santa Igreja. Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao Coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte e constante até o sacrifício, quando for necessário. Um coração, cuja felicidade é palpitar com o Coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente a vontade divina. Amém. (São Paulo VI)

Para a nossa vivência

Diante da incompreensão dos judeus, devemos refletir sobre a identidade e a missão de Jesus, bem como o quanto temos permitido que esse conhecimento determine o nosso comportamento. O que foi dito por Jesus aos judeus ecoa, hoje, para cada um de nós. Somos colocados diante da mesma chance que os judeus tiveram e podemos avaliar se estamos ou não em sintonia com Jesus que revela o juízo de Deus: é salvação para quem se abre e acolhe a palavra de Jesus, mas pode ser condenação para quem a ela se fechar.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

Sacerdote da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Prof. de Sagrada Escritura do Dep. de Teologia da PUC-Rio

Capelão da Igreja do Divino Espírito Santo do Estácio de Sá/RJ

01/04/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 8,31-42

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 31Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permane-cerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 33Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres?’” 34Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”. 39Eles responderam então: “Nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras do vosso pai”. Disseram-lhe, então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. 42Respondeu-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.

Salmo 26(27) – Confiança em Deus no perigo

Esta é a morada de Deus entre os homens (Ap 21,3).

Antífona: O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo?

1 O Senhor é minha luz e salvação; *
de quem eu terei medo?
† O Senhor é a proteção da minha vida; *
perante quem eu tremerei?

2 Quando avançam os malvados contra mim, *
querendo devorar-me,
são eles, inimigos e opressores, *
que tropeçam e sucumbem.

3 Se os inimigos se acamparem contra mim, *
não teme meu coração;
se contra mim uma batalha estourar, *
mesmo assim confiarei.

4 Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, *
e é só isto que eu desejo:
habitar no santuário do Senhor *
por toda a minha vida;
saborear a suavidade do Senhor *
e contemplá-lo no seu templo.

5 Pois um abrigo me dará sob o seu teto *
nos dias da desgraça;
no interior de sua tenda há de esconder-me *
e proteger-me sobre a rocha.

6 E agora minha fronte se levanta *
em meio aos inimigos.
Ofertarei um sacrifício de alegria, *
no templo do Senhor.
Cantarei salmos ao Senhor ao som da harpa *
hinos de louvor.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo?

Breve reflexão

Em uma discussão calorosa e polêmica existe a possibilidade de surgir incompreensões e desentendimentos. Apesar disso, Jesus é o mestre que não se deixa intimidar e nunca recua, mas insiste em ensinar e iluminar os judeus que nele tinham acreditado, a fim de que, experimentassem a eficácia da sua palavra e se tornassem seus discípulos. No centro da discussão está a realidade do pecado e a sua consequência: a escravidão que leva à morte, mas que, também, busca matar. Com isso, Jesus revela que, de fato, esses judeus não acreditaram nele, porque não compreenderam a sua palavra.

Jesus causou perplexidade, ao dizer: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (v. 32). Ainda assim, procurou ajudar os judeus a perceberem que estavam apegados a uma religião que escraviza e mata. Por isso, não conseguiram enxergar o sentido das afirmações de Jesus que não veio tomar o lugar de Abraão, mas revelar o que significa tê-lo como pai, isto é, pertencer ao povo que se orgulhava por descender de um homem de fé e de piedade extraordinárias. Um homem exemplar que devia ser seguido por sua integridade, enquanto detentor de uma bênção universal (Gn 12,1-3).

Sobre a contradição entre fé e obras, Jesus, por duas vezes, afirmou aos que tinham acreditado: procurais matar-me (vv. 37.40). Tudo isso, porque falou a verdade e demonstrou que, neles, nada havia de parecido com Abraão. Diante da falta de razão e de argumentos convincentes, só lhes resta o insulto: não nascemos da prostituição, e um novo apelo: temos um só pai, Deus (v. 41). Também, aqui, Jesus procurou inverter a situação: Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis (v. 42). No fim, a mentira foi desmascarada pela verdade que liberta: esses judeus não eram nem filhos de Abraão, nem de Deus, mas do diabo (v. 44), pois preferiam a mentira que leva à morte. Então, para aceitar Jesus Cristo e amá-lo é preciso aceitar e reconhecer os planos de Deus, pois dele saiu e foi ele quem o enviou por nós e para nossa salvação.

Preces

Ao Deus misericordioso e previdente, que conhece todas as nossas necessidades, mas quer que busquemos, antes de tudo, o seu reino. Rezemos com confiança:

  1. Senhor, venha a nós o vosso Reino e a sua justiça!

Pai santo, que nos destes Jesus Cristo como Pastor de nossas almas, assisti os pastores da Igreja e o povo a eles confiado, para que não falte ao rebanho a solicitude dos seus pastores nem aos pastores a obediência de suas ovelhas. R.

Aumentai a caridade dos cristãos, para que socorram os doentes com amor fraterno,
vendo neles e nos profissionais da saúde o vosso próprio Filho, Jesus Cristo. R.

Fazei que ingressem na vossa Igreja os que ainda não creem no Evangelho, para que, pelo exemplo das boas obras dos fiéis, a façam crescer na caridade. R.

Concedei a nós pecadores uma sincera conversão pela contrição sincera das nossas culpas, e a reconciliação perfeita convosco e com a vossa Igreja. R.

Concedei a vida eterna aos nossos irmãos e irmãs que morreram, em particular as vítimas dessa pandemia, para que vivam eternamente na vossa presença. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Ó Espirito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora; fechado a todas as ambições mesquinhas; alheio a qualquer desprezível competição humana; compenetrado no sentido da Santa Igreja. Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao Coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte e constante até o sacrifício, quando for necessário. Um coração, cuja felicidade é palpitar com o Coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente a vontade divina. Amém.

Para a nossa vivência

A exemplo de Jesus Cristo que, pela sua total confiança em Deus Pai, prosseguiu a sua missão, busquemos, frente às adversidades que estamos vivendo nesse tempo de reclusão social, testemunhar a fé, em família, por palavras e ações bondosas. Que ao longo deste dia, sejamos capazes de dedicar um maior espaço à leitura e meditação da Palavra de Deus, certos de que foi para a liberdade que Jesus Cristo nos libertou. Além de fazer a nossa parte, conforme as orientações sanitárias, rezemos pelos agentes de saúde para que sintam o consolo e a força que vem de Deus.

O Senhor esteja convosco (conosco). – Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

31/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. – Amém.

A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 8,21-30

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 21“Eu parto, e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23Jesus continuou: “Vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25Perguntaram-lhe pois: “Quem és tu, então?” Jesus respondeu: “O que vos digo, desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar, também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”. 27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou.

Salmo 19(20) – Oração pela vitória do rei

Quem invocar o nome do Senhor, será salvo (At 2,21).

Antífona: Ó Senhor, exaltai o vosso Ungido!

2 Que o Senhor te escute no dia da aflição, *
e o Deus de Jacó te proteja por seu nome!
3 Que do seu santuário te envie seu auxílio *
e te ajude do alto, do Monte de Sião!

4 Que de todos os teus sacricios se recorde, *
e os teus holocaustos aceite com agrado!
5 Atenda os desejos que tens no coração; *
plenamente ele cumpra as tuas esperanças!

6 Com a vossa vitória então exultaremos, †
levantando as bandeiras em nome do Senhor. *
Que o Senhor te escute e atenda os teus pedidos!

7 E agora estou certo de que Deus dará a vitória, *
que o Senhor há de dar a viria a seu Ungido;
que have de atendê-lo do excelso santuário, *
pela força e poder de sua mão vitoriosa.

8 Uns confiam nos carros e outros nos cavalos; *
nós, porém, somos fortes no nome do Senhor.
9 Todos eles, tombando, caíram pelo chão; *
nós ficamos de pé e assim resistiremos. –

10 Ó Senhor, dai vitória e salvai o nosso rei, *
e escutai-nos no dia em que nós vos invocarmos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Ó Senhor, exaltai o vosso Ungido!

Breve reflexão

Após salvar a mulher adultera de ser lapidada e de lhe dar o perdão, Jesus encontra-se, novamente, ensinando o povo. Seu ponto de partida é uma declaração pessoal: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12). A partir disso, tem início uma acirrada discussão com os fariseus que contestam dizendo: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é válido (Jo 8,13).

Essa discussão possui três momentos: o primeiro gira entorno da revelação (Jo 8,12-20); o segundo tem a ver com a incompreensão dos judeus (Jo 8,21-30); o terceiro consiste no desdobramento da revelação, pois aceitar Jesus como luz é reconhecer que ele é a verdade que liberta (Jo 8,31-59). Esta última parte terminará com outra revelação de Jesus: Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou (Jo 8,58).

Ao dizer em aramaico, Eu sou, ecoou certamente, nos ouvidos dos judeus, o nome que Deus revelara a Moisés (Ex 3,14), razão pela qual pegaram em pedras para atirar em Jesus. Aqui está um detalhe importante: Jesus, que no início, salvou a mulher adultera do apedrejamento, agora teve que fugir e se esconder para não ser apedrejado.

Contudo, Jo 8,21-30 está centrado na origem divina de Jesus. Por duas vezes, já tinha dito: eu sou (vv. 24.28), mas os judeus não entenderam, porque não creram. Aqui fé e conhecimento são sinônimos de luz e de verdade. Jesus quis conduzir os judeus à compreensão sobre a sua pessoa e a sua missão libertadora do pecado, mas, neles, encontrou uma grande barreira: a oposição fundada em suas próprias convicções. Por isso, pronunciou uma ameaça: morrereis no vosso pecado… se não acreditais que eu sou (vv. 21.24). Isso acontece pela obstinação, isto é, pela falta de abertura à graça de Deus (é o pecado imperdoável contra o Espírito Santo cf. Mt 12,31-32; Lc 12,10).

Apesar disso, Jesus é consciente de que a sua obediência incondicional à vontade do Pai, no cumprimento da missão, poderá mudar tudo: Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou (v. 27). Nesse sentido, Jesus entrevê o seu fim, com a certeza de que o Pai está sempre com ele. Esta é a motivação que faz Jesus prosseguir na missão, sem desanimar, apesar das oposições e rejeições. A cruz, então, não é só o local da salvação, é, também, a plena revelação do amor de Deus pela humanidade.

Diante de Jesus e da revelação da sua íntima comunhão com Pai, nós também somos interpelados. Fica a pergunta: por não crer, também nós morreremos no nosso pecado?

Preces

Imploremos a Jesus Cristo, nosso Senhor, que nos iluminou com a luz da verdade, e mandou vigiar e orar para não cairmos em tentação; e digamos confiantemente:

  1. Ouvi-nos, Senhor, e tende piedade em vossa infinita misericórdia!

Cristo Jesus, que prometestes estar sempre presente com os que se reúnem para orar em vosso nome, ensinai-nos a orar sempre convosco ao Pai no Espírito Santo. R.

Celeste Esposo, purificai de todo pecado o vosso povo, e fazei que a vossa amada Igreja viva sempre pela fé, esperança, caridade e na alegria do Espírito Santo. R.

Amigo do ser humano, como nos mandastes, tornai-nos abertos e solícitos pelo bem do próximo, e que, por meio de nós, brilhe para todos a luz da vossa salvação. R.

Príncipe da paz, concedei ao mundo a vossa justiça que reconcilia o gênero humano e gera a paz verdadeira, sinal visível do vosso amor e da vossa presença salvífica. R.

Para todos os que, nesse momento de pandemia, estão morrendo, abri as portas da bem-aventurança eterna e que, admitidos na vossa glória, intercedam por nós. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Para a nossa vivência

Todos os dias, Deus, em seu amor, nos oferece a graça e a oportunidade de ter a nossa vida transformada por uma sincera conversão. Ele sempre se revela e se doa. Somos nós que podemos ficar obstinados em nossas convicções religiosas e acabar por não perceber a presença e os apelos de Deus, em particular, através do próximo mais necessitado. Nesse tempo favorável, dediquemos mais espaço e tempo à vida de oração, mas também à prática da caridade, pois a fé sem obras é morta (Tg 2,18).

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

30/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Eu, também, não te condeno; podes ir, mas não peques mais.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 8,1-11

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então, Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Eu, também, não te condeno; podes ir, mas não peques mais.

Salmo 6 – O homem aflito pede clemência ao Senhor

Agora sinto-me angustiado… Pai, livra-me desta hora (Jo 12,27).

Antífona: Por vossa bondade, salvai-me, Senhor!

2 Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; *
corrigi-me, mas não com furor!
3 Piedade de mim: estou enfermo †
e curai o meu corpo doente! *
4 Minha alma está muito abatida!

Até quando, Senhor, até quando…? †
5 Oh! voltai-vos a mim e poupai-me, *
e salvai-me por vossa bondade!
6 Porque, morto, ninguém vos recorda; *
pode alguém vos louvar no sepulcro?

7 Esgotei-me de tanto gemer, †
banho o leito em meu pranto de noite, *
minha cama inundei com as lágrimas!
8 Tenho os olhos turvados de mágoa, *
fiquei velho de tanto sofrer!

9 Afastai-vos de mim, malfeitores, *
porque Deus escutou meus soluços!
10 O Senhor escutou meus pedidos; *
o Senhor acolheu minha prece!
11 Apavorem-se os meus inimigos; *
com vergonha, se afastem depressa!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Por vossa bondade, salvai-me, Senhor!

Breve reflexão

Sem dúvida, o episódio da mulher adúltera é comovente. De um lado, porque mostra o quanto o farisaísmo religioso é impiedoso. De outro lado, porque o resultado, no confronto com Jesus, vai muito além do esperado, pois se descobre quão imensa é a bondade e a misericórdia de Deus pelo ser humano, em particular pelo mais sofrido.

Nas mãos dos homens, essa mulher só foi usada e abusada; sua dignidade foi ferida. Nas mãos de Jesus, porém, ela foi valorizada por aquilo que é: mulher. A misericórdia abriu para ela novos horizontes e uma nova possibilidade de viver isenta do pecado. Cumpre-se a vontade de Deus expressa através do profeta Ezequiel: Não tenho prazer na morte do pecador, mas que se converta, mude de caminho e viva (Ez 18,32; 33,11).

Neste episódio, pode-se ver a nossa humanidade diante da justiça da lei e diante da justiça da fé (Rm 10,5-15). Enquanto a primeira julga e condena a pessoa pelo seu passado e por seus erros: esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na lei, mandou apedrejar tais mulheres (vv. 4-5); a segunda julga e absolve a pessoa pelo seu presente aos olhos do amor de Deus, em função do futuro: Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais (v. 11). A justiça da lei não olha a pessoa, mas o seu erro. Já a justiça da fé olha a pessoa e o valor que tem aos olhos de Deus. A primeira é punitiva e causadora de morte. A segunda é redentora e reconciliadora, pois causa a restauração da pessoa que errou por sua fragilidade.

Essa mulher foi repreendida por Jesus, mas sem ira. Foi corrigida sem furor e com amor. O Senhor olhou para ela não como juiz que condena, mas como médico do seu corpo doente e de sua alma abatida. Assim, essa mulher experimentou que é melhor cair nas mãos de Deus, que salva por sua bondade, do que cair nas mãos dos homens que só sabem perseguir, prender e condenar. Enquanto os fariseus envergonharam a mulher, declarando o seu pecado diante de todos, uma vez deflagrados por Jesus, em sua consciência, a começar pelos mais velhos, tiveram eles que sair envergonhados.

A lição de vida é simples, entra em nossos ouvidos e ecoa em nossos corações: Tornai-vos compassivos, como o vosso Pai é compassivo. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados (Lc 6,36-37).

Preces

Bendigamos a Jesus, nosso Salvador, que pela sua morte nos abriu o caminho da salvação. Então, repletos de confiança por estarmos nas mãos de Deus, oremos:

  1. Guiai-nos, Senhor, em vosso caminho de bondade e de compaixão!

Deus de misericórdia, que pelo batismo nos destes uma vida nova, fazei que, sendo compassivos no dia a dia, sejamos configurados cada vez mais a Jesus Cristo. R.

Ensinai-nos a ser, hoje, sinal de alegria pelos que sofrem, agentes de libertação diante das injustiças, e a vos servir em cada irmão ou irmã que precise de nossa ajuda. R.

Ajudai-nos a praticar o que é bom, correto e verdadeiro aos vossos olhos, e a sempre vos procurar, com sinceridade de coração, no próximo mais necessitado. R.

Perdoai-nos, Senhor, as faltas que cometemos contra a unidade da família humana, por vós redimida, e fazei que nos tornemos um só coração e uma só alma. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Para a nossa vivência

O Papa Francisco, na Carta Apostólica Misericordia et Misera (n .2), nos lembrou que: “O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que possa ser subtraída a este imperativo do amor que chega até ao perdão. Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34)”. Então, no decurso deste dia e desse tempo quaresmal, estejamos bem atentos ao modo como temos rezado o Pai-Nosso, em particular quando se diz: perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Que o perdão seja autêntico e não da boca pra fora!

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

28/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: “Ninguém jamais falou como este homem”.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 7,40-53

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 40ao ouvirem as palavras de Jesus, algumas pessoas diziam: “Este é, verdadeiramente, o Profeta”. 41Outros diziam: “Ele é o Messias”. Mas alguns objetavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? 42Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?” 43Assim, houve divisão no meio do povo por causa de Jesus. 44Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele. 45Então, os guardas do Templo voltaram para os sumos sacerdotes e os fariseus, e estes lhes perguntaram: “Por que não o trouxestes?” 46Os guardas responderam: “Ninguém jamais falou como este homem”. 47Então os fariseus disseram-lhes: “Também vós vos deixastes enganar? 48Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus acreditou nele? 49Mas esta gente que não conhece a Lei, é maldita!” 50Nicodemos, porém, um dos fariseus, aquele que se tinha encontrado com Jesus anteriormente, disse: 51“Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” 52Eles responderam: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”. 53E cada um voltou para sua casa.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: “Ninguém jamais falou como este homem”.

Salmo 91(92) – Louvor ao Deus Criador

Louvores se proclamam pelos feitos do Cristo (Sto. Atanásio).

Antífona: Como é bom salmodiar em louvor ao Deus Altíssimo!

2 Como é bom agradecermos ao Senhor *

e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo!

3 Anunciar pela manhã vossa bondade, *

e o vosso amor fiel, a noite inteira,

4 ao som da lira de dez cordas e da harpa, *

com canto acompanhado ao som da cítara.

5 Pois me alegrastes, ó Senhor, com vossos feitos, *

e rejubilo de alegria em vossas obras.

6 Quão imensas, ó Senhor, são vossas obras, *

quão profundos são os vossos pensamentos!

7 Só o homem insensato não entende, *

só o estulto não percebe nada disso!

8 Mesmo que os ímpios floresçam como a erva, *

ou prosperem igualmente os malfeitores,

são destinados a perder-se para sempre. *

9 Vós, porém, sois o Excelso eternamente!

10 Eis que os vossos inimigos, ó Senhor, †

eis que os vossos inimigos vão perder-se, *

e os malfeitores serão todos dispersados.

11 Vós me destes toda a força de um touro, *

e sobre mim um óleo puro derramastes;

12 triunfante posso olhar meus inimigos, *

vitorioso escuto a voz de seus gemidos.

13 O justo crescerá como a palmeira, *

florirá igual ao cedro que há no Líbano;

14 na casa do Senhor estão plantados, *

nos átrios de meu Deus florescerão.

15 Mesmo no tempo da velhice darão frutos, *

cheios de seiva e de folhas verdejantes;

16 e dirão: ‘É justo mesmo o Senhor Deus: *

meu Rochedo, não existe nele o mal!’

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Como é bom salmodiar em louvor ao Deus Altíssimo!

Breve reflexão

As palavras de Jesus causaram, e ainda causam, perplexidade, porque deflagram a nossa vaidade e egoísmo. São palavras proféticas, pois é a luz que brilha nas trevas. Ao invés de se deixar questionar por elas, a fim de rever a própria vida e conduta, muitos preferem as controvérsias e as disputas teológicas. Ao invés do sentido óbvio e objetivo da fé em Jesus Cristo, preferem o seu duvidoso e subjetivo achismo.

A postura das lideranças não poderia ser diferente diante da ameaça de perder o povo para Jesus, isto é, para a Verdade. Esta postura continua viva e presente nos nossos dias. Se, por um lado, a gente simples é maldita por desconhecer a lei, por outro ladnte nos nosos erder o povo para ram a nossa vaidade e egoo, as lideranças pensam assim porque se colocam acima da lei e do bem-estar das pessoas, em particular das mais frágeis e necessitadas no corpo e na alma. Esse é o diferencial entre Jesus e as lideranças da sua época… e também dos nossos dias.

Contudo, nota-se a clara distinção entre o povo, que não compreende, mas se abre com simpatia para Jesus, e as lideranças que acreditam compreender, mas se fecham, chamam para si o poder de decisão e usam a lei para julgar e condenar o justo. E, se uma voz de bom-senso argumentar, só lhe restam rebatê-la com ofensa e desprezo.

Preces

Demos graças a Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, sempre e em toda parte. Nesta manhã, supliquemos com toda a confiança:

  1. Socorrei-me, Senhor, com a vossa graça!

Ajudai-nos a sentir e a pensar o que é bom e reto, conservando sem mancha o nosso corpo, para que seja uma digna morada do Espírito Santo. R.

Despertai em nós, desde o amanhecer, o desejo de nos sacrificarmos pelos nossos irmãos e irmãs, cumprindo a vossa vontade em todas as atividades deste dia. R.

Ensinai-nos a procurar com devoção e amor o pão da vida eterna, que vós mesmo nos ofereceis, sem deixar de socorrer, com o pão material, os mais necessitados. R.

Interceda por nós a vossa Mãe, refúgio dos pecadores e saúde dos povos, para alcançarmos o perdão dos nossos pecados e o fim dessa pandemia. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

No Brasil e no mundo, o COVID-19 continua se espalhando, contaminando e ceifando vidas, particularmente entre os idosos, grande tesouro de cultura e de fé, mestres na arte da vida, mas alvos de tantos sofrimentos. Então, para que as gerações mais novas possam ajudar nossos idosos a se abandonar à prodigiosa Misericórdia de Deus, por eles e com eles, façamos a oração de São João Paulo II para os idosos:

“Senhor, tu me deste o presente inestimável da vida, e desde que eu nasci nunca deixaste de me encher com tuas graças e teu amor infinito. Ao longo dos anos foram intercaladas muitas alegrias, provações, sucessos, falhas, altos e baixos na saúde, lutos, como acontece com todo mundo. Com a tua graça e tua ajuda, pude superar cada obstáculo e avançar em sua direção. Hoje, sinto-me rico pelas experiências que vivi e por ter recebido a grande consolação de ter sido objeto do teu amor. Minha alma exulta de gratidão! Hoje, enquanto ainda desfruto da posse de minhas faculdades, te ofereço a minha aceitação à tua Santa Vontade. E a partir de agora eu desejo que, se alguma doença me atingir, ela possa servir para a tua glória e para a salvação das almas. Amém”.

Para a nossa vivência

Diante da situação, que assola o mundo, as opiniões e os pareceres se multiplicam. As vozes dos especialistas da saúde e das lideranças governamentais divergem. A quem se deve ouvir? O que se deve fazer? O que se pode esperar? Ontem, de forma profética, o Papa nos interpelou e nos chamou a rever as nossas prioridades; lembrou-nos que a cruz, ao mesmo tempo, é contrariedade, porque revela a maldade humana, mas também é sinal de esperança, porque, nela, Deus, por amor, cravou o nosso pecado.

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

27/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 7,1-2.10.25-30

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente, mas sim como que às escondidas. 25Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? 26Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde é”. 28Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. 30Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno.

Salmo 118(119),161-168 – Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei

Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes (Tg 1,22).

Antífona: Sejamos firmes na provação: a justiça de Deus é nossa força!

161 Os poderosos me perseguem sem motivo; *
meu coração, porém, só teme a vossa lei.
162 Tanto me alegro com as palavras que dissestes, *
quanto alguém ao encontrar grande tesouro.

163 Eu odeio e detesto a falsidade, *
porém amo vossas leis e mandamentos!
164 Eu vos louvo sete vezes cada dia, *
porque justos são os vossos julgamentos.

165 Os que amam vossa lei têm grande paz, *
e não há nada que os faça tropeçar.
166 Ó Senhor, de vós espero a salvação, *
pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.

167 Obedeço fielmente às vossas ordens, *
e as estimo ardentemente mais que tudo.
168 Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; *
os meus caminhos estão todos ante vós.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Sejamos firmes na provação: a justiça de Deus é nossa força!

Breve reflexão

Jesus sabia dos riscos que corria ao se dirigir para Jerusalém, principalmente durante as festas religiosas do seu povo, pois as polêmicas seriam quase que inevitáveis. Não obstante isso, e inspirado nas Escrituras, Jesus buscou planejar as suas ações e soube elaborar estratégias para que todas elas fossem realizadas segundo a vontade do Pai.

Na base de tudo, porém, estava a certeza de que nada lhe ocorreria antes da hora determinada pelo Pai, pois nada escapa aos seus desígnios. Ainda, assim, Jesus, quando necessário, soube se defender, a fim de desmascarar as injustiças e mentiras dos seus acusadores. Isto é, fez a sua luz brilhar para expulsar as trevas, mostrando a libertação predita pelos profetas e concretizando as palavras do Salmo apenas rezado.

Portanto, diante das adversidades e provações, cada um de nós se descobre capaz ou incapaz. Se, por um lado, essas podem parecer superiores às nossas forças, por outro lado, elas podem revelar que estamos diante de uma grande oportunidade de crescimento. É uma ocasião favorável que deve ser valorizada em cada detalhe. Por certo, sem a oração frequente e repleta de fé nos descobriremos muito vulneráveis.

Aprendamos com Jesus, na sua obediência incondicional a Deus-Pai, a encarar com resiliência as adversidades, as crises e os estresses provocados por esse momento que tanta dor e mortes tem gerado: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Preces

Adoremos, Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano, que morrendo destruiu a morte e ressuscitando renovou a vida; e peçamos com humildade:

  1. Santificai, Senhor, o povo que remistes com vosso sangue!

Jesus, nosso Redentor, concedei que, pela penitência, nos associemos cada vez mais plenamente à vossa Paixão, a fim de alcançarmos a glória da ressurreição. R.

Acolhei-nos sob a proteção de Maria, vossa Mãe, consoladora dos aflitos, para podermos confortar os tristes como mesmo auxílio que de vós recebemos. R.

Concedei-nos a graça de tomar parte na vossa Paixão por meio das dificuldades e dos sofrimentos da vida, para que também em nós se manifeste a vossa salvação. R.

Jesus, que vos humilhastes e vos fizestes obediente até à morte e morte de cruz, ensinai-nos a ser obedientes diante das adversidades e a ser pacientes nas crises. R.

Tornai os corpos de nossos irmãos e irmãs falecidos semelhantes à imagem do vosso corpo glorioso, e fazei-nos dignos de participar um dia, com eles, da vossa glória. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Para a nossa vivência

Nesse momento difícil é preciso saber viver e Cora Coralina nos dá uma indicação: “Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

26/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: As obras que eu faço dão testemunho de mim.

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 5,31-47

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus disse aos judeus: 31“Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. 32Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. 33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação. 35João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz. 36Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. 37E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, 38e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou. 39Vós examinais as Escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim, 40mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! 41Eu não recebo a glória que vem dos homens. 42Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus. 43Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis. 44Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? 45Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. 46Se acreditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. 47Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?”

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: As obras que eu faço dão testemunho de mim.

Salmo 142(143),1.6-11 Prece na aflição

Ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo (Gl 2,16).

Antífona. Fazei-me sentir vosso amor desde cedo!

1 Ó Senhor, escutai minha prece, *
ó meu Deus, atendei minha súplica!
– Respondei-me, ó vós, Deus fiel, *
escutai-me por vossa justiça!

6 Para vós minhas mãos eu estendo; †
minha alma tem sede de vós, *
como a terra sedenta e sem água.

7 Escutai-me depressa, Senhor, *
o esrito em mim desfalece!
– Não escondais vossa face de mim! †
Se o fizerdes, já posso contar-me *
entre aqueles que descem à cova!

8 Fazei-me cedo sentir vosso amor, *
porque em vós coloquei a esperança!
– Indicai-me o caminho a seguir, *
pois a vós eu elevo a minha alma!
9 Libertai-me dos meus inimigos, *
porque sois meu refúgio, Senhor!

10 Vossa vontade ensinai-me a cumprir, *
porque sois o meu Deus e Senhor!
– Vosso Esrito bom me dirija *
e me guie por terra bem plana!

11 Por vosso nome e por vosso amor *
conservai, renovai minha vida!
– Pela vossa justiça e clemência, *
arrancai a minha alma da angústia!

Antífona. Fazei-me sentir vosso amor desde cedo!

Breve reflexão

Nesse tempo de provação, podemos nos aproximar ainda mais da Sagrada Escritura, de forma individual ou em família. Pela leitura de seus textos, cada um de nós pode adquirir o conhecimento da verdade e, por este, experimentar a força que nos liberta de todas as formas de injustiças, egoísmos e mentiras que nos escravizam.

Se, por um lado, o testemunho que uma pessoa dá de si mesma não tem valor em um tribunal, por outro lado, o testemunho que damos da fé em Deus pode ter muito valor para a sociedade, em particular quando está cheio de palavras de esperança e de obras de caridade. Esse é o testemunho que o Pai, pelo Filho na unção do Espírito Santo, nos ajuda a ter e quer encontrar em cada um de nós, pois ilumina o mundo, em particular quando a humanidade passa por momentos difíceis.

Somos agraciados, pois a Sagrada Escritura nos comunica a revelação de Deus e nos permite experimentar a sua presença e a força do seu amor, manifestados em Jesus Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt 20,28). Ele espera de nós a ação libertadora: Amai-vos como eu vos amei (Jo 13,34).

Preces

Proclamemos a misericórdia de Deus, que nos ilumina com a graça do Espírito Santo, para que resplandeçam em nossas obras a justiça e a santidade; e supliquemos:

  1. Dai a vida, Senhor, ao povo que Jesus Cristo redimiu!

Senhor, fonte e autor de toda santidade, fortalecei os bispos, os sacerdotes e os diáconos em sua união com Cristo por meio do mistério eucarístico, para que se renove sempre mais a graça que receberam pela imposição das mãos. R.

Ensinai os vossos fiéis, nesse momento de reclusão social, a refletir sobre o vosso infinito amor revelado na mesa da Palavra e da Eucaristia, a fim de que, unidos em família, se fortaleçam mutuamente pela fé e pela oração constante. R.

Ensinai-nos a reconhecer a dignidade de cada pessoa humana, redimida pelo Sangue de vosso Filho, e a respeitarmos a sua liberdade e a sua consciência religiosa. R.

Fazei que todos os seres humanos, pelos exercícios quaresmais, saibam moderar seus desejos de bens temporais, e estejam atentos e prontos para socorrer o próximo em suas necessidades, sejam elas corporais ou espirituais. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Para a nossa vivência

Inspirados pelos textos que ouvimos e meditamos, procuremos transcorrer esse dia com serenidade, testemunhando a presença e o amor de Deus através de nossas palavras e ações. Agora é o tempo favorável para a família viver da fé razoável e da razão cheia de fé, a fim de que o afeto e o carinho mútuo sejam um bálsamo, para que a gentileza e as boas obras se multipliquem ao nosso redor. Que o pensamento negativo seja vencido pela boa lembrança. Que o que existe de mais bonito em cada um de nós revele que Jesus Cristo está vivo e que a sua misericórdia é infinita!

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

25/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Antífona: Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!

O Senhor esteja convosco. – Ele está no meio de nós.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas 1,26-38

Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”

29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.

34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

Antífona: Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!

Salmo 125(126) Alegria e esperança em Deus

Assim como participais dos nossos sofrimentos, participais também da nossa consolação (2Cor 1,7).

Antífona: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

1 Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar;

2 encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções. –

Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!”

3 Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

4 Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto.

5 Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria.

6 Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes;

cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

Breve reflexão

Deus sempre está em ação na história humana e nunca fecha os seus olhos para o que nela acontece, pois, desde toda a eternidade, decidiu amar a sua sublime criatura, mesmo sabendo que pela desobediência muitos males se voltariam contra a humanidade, gerando egoísmos, discriminações e toda sorte de doenças.

Para sanar e curar este mal, fez uma promessa de salvação: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).

Deus, dirigindo os rumos da história, preparou uma digna habitação para o seu Unigênito Filho no seio de uma mulher bendita entre todas as mulheres. Assim, Maria de Nazaré, a Mãe do nosso Salvador e único mediador entre Deus e os seres humanos, é a expressão da humanidade que se mantém totalmente aberta diante do mistério de Deus que, por séculos e com paciência, esperou receber um sim incondicional, a fim de inaugurar uma nova era de justiça, paz e fraternidade.

No sim de Maria, descobre-se que o limite da esperança se manifesta quando o ser humano, aberto para Deus, se dispõe a dizer como ela: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,37). O resultado desse sim foi um evento único e definitivo para toda a história da humanidade: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Por isso, antes de ascender aos céus, disse: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos séculos” (Mt 28,20).

Este anúncio nos enche de esperança, principalmente diante de momentos difíceis que até fazem a humanidade se curvar, experimentar os seus limites, mas também ensinam a não desistir, pois está certa a vitória sobre o mal. O que começou no sim de Maria alcançou o seu ponto mais alto na prova de amor dada pelo seu único Filho, Jesus Cristo. Por ser o Homem entre os homens, nos ajuda e sempre nos socorre; por ser Deus-conosco nos oferece a graça da salvação definitiva.

Preces

A solenidade da Anunciação do Senhor, que hoje celebramos, marca o início da nossa salvação e libertação dos males. Cheios de confiança, digamos a Deus Pai:

  1. Interceda por nós a santa Mãe de Deus!

Assim como a Virgem Maria recebeu com alegria a mensagem do anjo, fazei, ó Deus, que recebamos com gratidão o nosso Salvador. R.

Assim como olhastes para a humildade de Maria, vossa serva, Pai de misericórdia lembrai-vos de todos nós e por vossa compaixão socorrei-nos sem demora. R.

Assim como Maria, a nova Eva, obedeceu plenamente à vossa Palavra divina, cumpra-se também em nós a vossa vontade nesse momento de provação. R.

Que a Santa Virgem Maria socorra os pobres, ajude os fracos, console os tristes, olhe maternalmente pelo povo, proteja o clero e interceda pelas mulheres que, em sua devoção, aprendem a viver segundo o seu exemplo de Mãe. R.

Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Para a nossa vivência

“A Virgem Maria recebeu com fé o anúncio do anjo; e, à sombra do Espírito Santo, acolheu com amor, no seio puríssimo, Aquele que, para salvar os seres humanos, quis nascer entre eles. Assim, cumpriam-se as promessas feitas a Israel e, de modo inefável, realizava-se a esperança das nações”.

À luz das palavras do Prefácio da Anunciação do Senhor, vivamos este dia com o nosso olhar de fé, voltado para Deus, e o nosso coração, repleto de caridade, voltado, em particular, para os mais sofridos, rezando e intercedendo por todos os agentes de saúde que estão na linha de frente nessa batalha a favor da vida.

O Senhor esteja convosco (conosco).

Ele está no meio de nós.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso,

† Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém.

Glorioso mártir São Sebastião, livrai-nos desta pandemia. Amém.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes

24/03/2020

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo. Antífona: Levanta-te, pega a tua cama e anda.

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São João 5,1-16

Glória a vós, Senhor!

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda’?” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.

Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor. Antífona: Levanta-te, pega a tua cama e anda.

Oração de Azarias na fornalha (Dn 3,26.27.29.34-41)

Arrependeivos e converteivos, para que vossos pecados sejam perdoados! (At 3,19).

 

Antífona: Senhor Deus, não nos tireis vosso favor!

 

–26 Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. * Louvor e glória ao vosso nome para sempre!

–27 Porque em tudo o que fizestes vós sois justo, * reto no agir e no julgar sois verdadeiro.

 

–29 Sim, pecamos afastando-nos de vós, * agimos mal em tudo aquilo que fizemos.

–34 Não nos deixeis eternamente, vos pedimos, * por vosso nome: não rompais vossa Aliança!

=35 Senhor Deus, não nos tireis vosso favor, † por Abraão, o vosso amigo, por Isaac, *

o vosso servo, e por Jacó, o vosso santo!

=36 Pois a eles prometestes descendência † numerosa como os astros que há nos céus, * inconvel como a areia que há nas praias.

=37 Eis, Senhor, mais reduzidos nós estamos † do que todas as nações que nos rodeiam; *

por nossos crimes nos humilham em toda a terra!

–38 Já não temos mais nem chefe nem profeta; * não há mais nem oblações nem holocaustos,

– não há lugar de oferecer-vos as primícias, * que nos façam alcançar misericórdia!

=39 Mas aceitai o nosso espírito abatido, † e recebei o nosso ânimo contrito *

40 como holocaustos de cordeiros e de touros.

= Assim, hoje, nossa oferta vos agrade, †

pois não serão, de modo algum, envergonhados * os que põem a esperança em vós, Senhor!

–41 De coração vos seguiremos desde agora, * com respeito procurando a vossa face!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Senhor Deus, não nos tireis vosso favor!

Preces

Agradeçamos a Deus Pai, que nos pôs de pé em seu Filho Unigênito, a Palavra que se fez carne, nosso alimento e nossa vida; e supliquemos com confiança:

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações!

Concedei-nos, nesta quaresma, escutar com mais frequência a vossa palavra e a obedecê-la, para louvarmos a Jesus Cristo, com maior piedade e devoção, neste dia e principalmente na grande solenidade pascal que se aproxima. R.

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações!

Que o vosso Espírito Santo, ao nos mostrar nosso pecado, nos ensine o caminho do bem e nos faça testemunhas da vossa verdade e bondade para encorajar e para animar os que vacilam e os que eram, por uma sincera conversão. R.

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações!

Fazei-nos viver mais profundamente o mistério de Jesus Cristo em meio às provações e dificuldades, e a manifestá-lo com clareza em nossa vida por palavras e ações. R.

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações!

Purificai e renovai a vossa Igreja neste tempo de graça, para que ela proclame cada vez mais e melhor a vossa vontade e a vossa salvação. R.

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações!

Volvei o vosso olhar benigno para os vossos filhos e filhas que se encontram enfermos e debilitados no corpo e na mente, que eles percebam a certeza da vossa presença e que o vosso amor os fortaleça. R.

R. Que a palavra de Jesus Cristo habite em nossos corações! Agora, no silêncio do seu coração, faça a sua prece

Pai nosso… Ave-Maria… Glória ao Pai…

Oremos

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria e a força. Quero, hoje, olhar o mundo com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente, ver além das aparências teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, não ver senão o bem em cada um. Fecha meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu Espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se achegarem a mim sintam a Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te não te ofenda, mas Te revele a todos! Amém.

Abençoe-vos o Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, † Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós que recorremos a vós. Amém. Recomendação

Unidos na fé, na esperança e na caridade, esse momento de provação não será apenas superado, mas sairemos renovados por uma grande lição quaresmal. Com o Senhor Jesus seguimos rumo à Páscoa, certos de que a morte não teve, não tem e nunca terá a última palavra sobre a vida. Porque Ele vive em nós, cremos que um amanhã de esperança está reservado para toda a humanidade.

Pe. Leonardo Agostini Fernandes


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